Política

Brasil deveria apoiar revolução no Irã, diz ativista

Da Redação ·
Em mais um sinal de que o governo Dilma Rousseff não vai seguir à risca a cartilha diplomática do ex-presidente Lula, a ativista iraniana Mina Ahadi foi recebida hoje no Palácio do Planalto pelo assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia. Mina é presidente do Comitê Internacional Contra Apedrejamento de Mulheres e conversou com autoridades brasileiras sobre o caso de Sakineh Mohamadi Ashtiani, acusada de adultério e condenada à morte por apedrejamento. "O governo brasileiro deveria apoiar os direitos humanos e a revolução no Irã", disse Mina. "O Brasil deveria defender o futuro do Irã, não esse regime. Queremos um Estado laico, equidade entre homens e mulheres, liberdade de expressão." Antes de se encontrar com Marco Aurélio, Mina conversou com a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário. Em março, a representação do Brasil no Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) votou em favor de uma proposta, patrocinada por EUA e Europa, que determina o envio de um relator independente para investigar a situação das garantias individuais no Irã. O gesto foi visto como uma importante mudança na diplomacia brasileira na questão. No ano passado, Lula disse que não apelaria ao presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, para impedir o apedrejamento de Sakineh. O petista chegou a afirmar que haveria "avacalhação" caso fossem atendidas solicitações desse tipo a cada indignação internacional. Para Mina, há diferenças entre Lula e Dilma na questão do Irã. "A presidente Rousseff já disse que o apedrejamento é uma barbárie, isso é muito importante, antes não ouvíamos nada de Lula. Foi um começo muito bom, Dilma é mulher e foi presa", disse a ativista, ressaltando que deseja que o governo brasileiro corte os laços diplomáticos com Teerã. A ativista também defendeu o fechamento da embaixada iraniana no País, considerada por ela um "centro de terror".
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