Política

Vereadores de SP distribuem doações de vítimas do Rio

Da Redação ·

Doações recolhidas no começo do ano pela Defesa Civil Municipal de São Paulo para as vítimas das chuvas na região serrana do Rio de Janeiro foram distribuídas para entidades ligadas a vereadores paulistanos. O caso foi revelado ontem pela Rádio Bandeirantes AM. Segundo a reportagem, o principal beneficiário seria o vereador Ushitaro Kamia (DEM). Para descobrir o suposto esquema, um repórter da rádio ligou para a funcionária da Defesa Civil responsável pela distribuição das doações, identificada apenas como Gisele. Ele se passou por representante de uma instituição que queria receber parte dos excedentes - no total, 210 das 300 toneladas de roupas, brinquedos, comida e água arrecadadas no início do ano ficaram em um galpão após as prefeituras atingidas pelas chuvas terem dito que não havia mais necessidade de mantimentos. A funcionária então pediu que o repórter procurasse algum vereador "conhecido" para que a doação fosse liberada. "Tem que ter alguma indicação. A gente não tá liberando diretamente para qualquer instituição que liga para a gente, entendeu?", disse Gisele. Ela também afirmou que o órgão teria "contato" com Kamia. O vereador havia sido um dos principais apoiadores da campanha do coordenador da Defesa Civil, coronel Jair Paca de Lima, a deputado estadual nas últimas eleições. Lima confirmou que Gisele trabalha no órgão e que entidades ligadas a vereadores receberam doações. Ele afirmou, entretanto, que os mantimentos estavam sendo liberados para qualquer instituição registrada na Defesa Civil. "Não houve indicação de vereador", disse. Segundo o coordenador da Defesa Civil, a funcionária negou ter afirmado que as doações eram restritas a indicados e disse que o áudio da conversa teria sido editado. Ele também negou que o caso teria qualquer relação com sua campanha eleitoral e afirmou que vai apurar o ocorrido. Câmara A reportagem da Rádio Bandeirantes AM foi reproduzida no plenário da Câmara Municipal de São Paulo e causou, além de constrangimento na base governista, ataques da oposição. Kamia, que vai tentar a reeleição em 2012, considerou as denúncias sem validade, porque usavam fala não autorizada da funcionária. "Isso também já foi esclarecido pelo coronel Jair Paca de Lima." "Ajudo essa e outras entidades. Cumpro a missão de diminuir a dificuldade da população", discursou Kamia, que não achou solidariedade na Casa. O corregedor da Câmara, Marco Aurélio Cunha, também da base governista, prometeu abrir investigação ontem mesmo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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