Política

Ministro brasileiro diz que Hugo Chávez 'late mais do que morde', revelam documentos

Da Redação ·
 Celso Amorim diz em documentos que brasileiros não se sentem ameaçados por Hugo Chávez
fonte: Mandel Ngan/30.11.2010/AFP
Celso Amorim diz em documentos que brasileiros não se sentem ameaçados por Hugo Chávez

Em correspondência secreta divulgada pelo site WikiLeaks e publicada neste domingo (5) pelo jornal Le Monde, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, afirma que Hugo Chávez "late mais do que morde", e que isolá-lo não é uma opção.

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“A Venezuela poderia até representar ameaça para a região, mas seu isolamento não é uma solução”, frisa Amorim, em mensagem confidencial que deixa às claras posições de políticos brasileiros em relação ao polêmico, mas aliado, presidente Chávez.

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Os telegramas, ao mesmo tempo, evidenciam divergências dentro do próprio governo brasileiro sobre as relações diplomáticas com a Venezuela de Chávez.

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Celso Amorim afirma em um arquivo datado de março de 2007 que "a orientação política de Hugo Chávez não é a do Brasil, e que os brasileiros não se sentem ameaçados por ele.

Mas o ministro da Defesa Nelson Jobim tem visão bem diferente, percebendo sim a Venezuela como "nova ameaça" à estabilidade regional.

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"Os brasileiros consideram plausível uma incursão militar de Chávez num país vizinho, por seu caráter imprevisível", diz um telegrama confidencial de 2008. Por causa disso foi criado um conselho de defesa sul-americano que serve para "enquadrar a Venezuela e outros países da região em uma organização comum que o Brasil possa controlar".

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Brasil “tem necessidade” neurótica de ser igual aos EUA

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Ainda segundo os documentos, os Estados Unidos e o Brasil competem pela influência na América Latina e as relações brasileiras com a Venezuela estiveram no centro das preocupações americanas, o que ficou evidenciado com o embargo dos EUA, em 2005, à venda de aviões brasileiros Super Tucano à Venezuela.

"O Brasil acha que está em concorrência com os EUA e desconfia das intenções americanas. (...) O Brasil tem necessidade quase neurótica de ser igual aos EUA e de ser percebido como tal", afirma outro telegrama confidencial de novembro de 2009.

A antecipada escolha de Antonio Patriota, ex-embaixador do Brasil em Washington, como ministro das Relações Exteriores da presidente eleita Dilma Rousseff não mudará este rumo, publica o jornal Le Monde.