Política

Situação da prefeitura é "caótica", dizem vereadores

Da Redação ·
Fachada da Prefeitura de Apucarana: crise financeira preocupa vereadores e população do município
fonte: Arquivo TN Online
Fachada da Prefeitura de Apucarana: crise financeira preocupa vereadores e população do município

A crise instalada na administração de João Carlos de Oliveira (PMDB) está preocupando os vereadores de Apucarana. O prefeito promete anunciar na semana que vem cortes na máquina administrativa, que incluem demissão de comissionados e estagiários, além de outras medidas para tentar conter o déficit nas contas municipais. Vereadores ouvidos ontem pela Tribuna classificam a situação de “caótica” e afirmam que o quadro atual é reflexo de uma “herança maldita” recebida por João Carlos do ex-prefeito de Apucarana, Valter Pegorer (PMDB), que administrou o município por oito anos.


“A gente já imaginava que o ex-prefeito Valter Pegorer tinha deixado a situação complicada. Por várias vezes, nós questionamos a dívida do município, mas ele respondia que a cidade não estava endividada. Não é o que está sendo mostrado agora”, assinala o vereador Alcides Ramos Júnior (DEM). Ele lembra que a dívida compromete R$ 9 milhões do orçamento anual do município. “Vamos reprovar na Câmara as contas do ex-prefeito (Valter Pegorer). Ele omitiu as dívidas do município e contraiu vários empréstimos para a construção de parques e praças, que agora estão abandonados”, afirma Alcides, que culpa Pegorer pelo endividamento do município.


O vereador classifica de “caótica” a situação da Prefeitura e revela ter informações de problemas em várias áreas da administração, principalmente na educação. Segundo ele, o cancelamento do vestibular de verão da Faculdade Cidade Educação (Faced) sintetiza as dificuldades no setor. “Temos informações de escolas com o telefone cortado ou que precisam realizar rifas e promoções para pagar as contas de serviços básicos”, diz Alcides. A Tribuna apurou ainda que algumas escolas já estão sofrendo com problemas na distribuição da merenda escolar.


Segundo o vereador, o município não repassa desde o começo do ano o Fundo Rotativo, recurso usado para a manutenção das escolas. “A situação é muito complicada e a única saída está no corte drástico de gastos, enxugando as despesas da máquina administrativa”, afirma.


O vereador Aldivino Marques da Cruz Neto, o Val (PSC), também afirma que o município deve realizar um “choque de gestão” na administração pública. No entanto, ele observa que o prefeito João Carlos errou ao não promover mudanças na estrutura administrativa logo após assumir o seu mandato. Segundo Val, o prefeito manteve o “sistema” da administração anterior, que “faliu o município”. “Faltou postura ao prefeito (João Carlos). Ele deveria determinar mudanças logo após assumir o cargo e não deixar o problema ‘estourar’”, diz.


Segundo Val, uma das primeiras atitudes seria demitir os funcionários “ociosos” da administração e investir no fortalecimento econômico do município, buscando uma “administração sustentável”. “O ex-prefeito Valter Pegorer fez investimentos sem resultado em Apucarana, endividando o município na construção de parques e praças. Estamos pagando e vamos pagar por muito tempo ainda a revitalização da Praça Rui Barbosa e da Praça do Redondo”, cita Val, observando que também tem recebido muitas reclamações de setores da prefeitura que estão parados. “A estrutura municipal está totalmente deficitária”, analisa.


O vereador Mauro Bertoli (PTB), presidente da Câmara, também vê com preocupação o atual quadro na administração municipal. “Acredito que a situação da prefeitura é reflexo das administrações anteriores e também da queda, neste ano, do repasse do FPM (Fundo de Participação dos Municípios)”, diz Bertoli.


Ele, no entanto, diz não acreditar que a exoneração de “poucos comissionados” vá resolver o problema da prefeitura. “Sacrificar alguns comissionados não é a saída”, diz. Para o vereador, o prefeito João Carlos deve planejar melhor a administração, garantindo em curto, médio e longo prazos soluções para tirar o município do atoleiro.
 

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