Política

Vitória de Dilma mostra força de Lula após dois mandatos

Da Redação ·
 Dilma Rousseff foi eleita presidente do Brasil com mais de 55 milhões de votos
fonte: Divulgação/23.09.2010
Dilma Rousseff foi eleita presidente do Brasil com mais de 55 milhões de votos

Mais de 55,7 milhões eleitores (56%) a escolheram no segundo turno, e, com isso, a petista Dilma Rousseff saiu vitoriosa das urnas na noite deste domingo (31), entrando para a história como a primeira mulher a assumir a Presidência da República do Brasil.

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Embora não tenha “emplacado” sua candidata na primeira fase da disputa, como as pesquisas previam e os aliados esperavam, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda é considerado o grande vencedor destas eleições, conforme avaliam especialistas ouvidos pelo portal  R7.

A vitória de Dilma confirma o bom momento da gestão de Lula, cujos índices de aprovação são recordes e ultrapassam a marca de 80%. Assim, não só ele conseguiu ser eleito duas vezes (em 2002 e em 2006), sendo o primeiro operário a chegar ao poder, mas também leva grande parte do crédito por ter conseguido eleger sua sucessora.

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Para o pesquisador Celso Roma, do Cedec (Centro de Estudos da Cultura Contemporânea), o resultado das urnas consolida o desejo de continuidade do modelo de governo empregado nos últimos oito anos e também é fruto dos erros do segundo colocado – o ex-governador paulista José Serra (PSDB), que obteve 43,7 milhões de votos (43,9%).

- O primeiro [fator que explica a vitória de Dilma] é alta taxa de aprovação do governo Lula e a transferência de votos do presidente para a sua candidata. O segundo foi a eficiência da campanha ao vincular a continuidade do governo Lula à vitória da candidata. O terceiro fato foram os erros da equipe de Serra na condução da campanha política, [...] bem mais frequentes [que os acertos].

O analista político Cristiano Noronha, da Arko Advice, concorda que as conquistas sociais da gestão atual e o momento econômico vivido pelo país, cuja estimativa de crescimento para 2010 é de 7,5%, foram fundamentais para a eleição de Dilma. Além disso, diz ele, a campanha tucana foi incapaz de defender a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o que acabou se revelando um erro estratégico.

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- O PSDB simplesmente desprezou as principais conquistas dele, que são a estabilidade econômica e o Plano Real. O partido se perdeu como referência, e a memória que ficou do governo FHC foi a da crise econômica e das privatizações. Eles nem souberam contra-argumentar quais setores foram privatizados e os benefícios que eles trouxeram, por exemplo.

Apoios e desafios

Além do poder de transferência de votos e do desejo pela manutenção da gestão atual, na reta final ficou evidente a melhora do desempenho de Dilma como candidata, conforme destacou a cientista política Maria do Socorro Sousa Braga, da Ufscar (Universidade Federal de São Carlos), ainda no primeiro turno.

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- O Lula teve um desempenho brilhante na medida em que conseguiu transferir para ela, em votos, sua popularidade. [...] Mas, para chegar a esse nível, ela teve um crescimento próprio. Ela se construiu nesse período, ela cresceu muito.

Outro fator que contribuiu para a vitória foi a aliança com o PMDB, o que fez com que o eleitor acreditasse que a futura presidente teria “estabilidade e tranquilidade” para governar, como disse na TV o próprio vice, Michel Temer (PMDB-SP). Para a cientista política Helcimara de Souza Telles, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), a promessa de estabilidade para governar deve se concretizar, já que os aliados de Dilma conquistaram a maioria das cadeiras no Congresso.

- O crescimento das bancadas aliadas no Congresso Nacional dá a Dilma um cenário de governabilidade e de estabilidade capaz de ajudá-la a implementar as políticas públicas propostas ao longo da campanha.

Apesar da manutenção do modelo de gestão, Dilma deverá encarar alguns desafios nos próximos anos. Entre os considerados “inevitáveis” pelos especialistas destacam-se a realização das reformas fiscal e política – que devem ser cobradas pela sociedade civil – e a “independência” em relação à “sombra” de Lula, já que serão inevitáveis as comparações com o líder.