Política

Tensão marca reta final da campanha de 2010

Da Redação ·
Dilma e Serra estão apostando as últimas fichas na reta final
fonte: Divulgação
Dilma e Serra estão apostando as últimas fichas na reta final

A agressividade que tomou conta da reta final do segundo turno da eleição presidencial elevou o nível de tensão da disputa entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB). Depois de uma semana marcada por agressões e troca de acusações públicas, a petista e o tucano buscam na militância e no apoio de aliados o reforço para conquistar os últimos indecisos. Os dois candidatos, que estiveram no Paraná na semana passada não devem retornar ao Estado antes da eleição de domingo próximo. Em compensação, contam com seus principais cabos eleitorais - o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo lado de Dilma; e o governador eleito Beto Richa (PSDB) - para angariar os votos dos eleitores paranaenses ainda passíveis de mudar de lado.

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Lula volta à Capital paranaense amanhã, para o que deve ser o último grande evento da campanha no Paraná, um comício na Cidade Industrial de Curitiba. Já Beto Richa vai ao Centro-Oeste, para eventos em Goiás e Mato Grosso do Sul, emprestar seu prestígio ao presidenciável tucano.


Dilma conta também com o reforço das lideranças aliadas locais, em especial da senadora eleita pelo PT, Gleisi Hoffmann, além do governador Orlando Pessuti (PMDB), do ex-governador e senador eleito, Roberto Requião (PMDB), e do candidato ao governo derrotado no primeiro turno, senador Osmar Dias (PDT). Todos estão sendo mobilizados para percorrer suas bases eleitorais no último esforço para tentar reverter a vantagem de quase 300 mil votos obtida por Serra no primeiro turno da eleição presidencial no Paraná.

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“Dá para virar”, acredita o presidente estadual do PT, deputado Ênio Verri, apontando que as últimas pesquisas já apontam para empate entre Dilma e Serra na região Sul, onde no início do primeiro turno, o tucano tinha uma boa vantagem. Segundo ele, além da visita do Lula, a estratégia nesta semana final será mobilizar aliados, em especial deputados federais e estaduais eleitos, que terão a missão de percorrer suas bases para pedir votos em favor da petista. A prioridade é para Curitiba e Região Metropolitana, onde estão o maior número de famílias beneficiadas pelos programas sociais e obras federais.


Verri avalia ainda que a vantagem aberta por Dilmas nas últimas pesquisas conta a favor da candidata. “Isso motiva a militância”, considera. No primeiro turno, Lula esteve três vezes em campanha no Estado, ao lado de Dilma e do candidato ao governo, Osmar Dias (PDT). Participou de comício na Boca Maldita, em Curitiba, em julho, logo no início da disputa. Depois, em setembro, foi a Foz do Iguaçu, região Oeste. E encerrou a campanha no final de setembro, com comício no bairro do Sítio Cercado, periferia da Capital.


Os tucanos, por sua vez, querem aumentar a vantagem de Serra nesse segundo turno em relação ao primeiro. O governador eleito tem dito que sua meta é garantir 1,5 milhão de votos a mais para Serra na votação de domingo. Para isso, ele conta com o apoio de prefeitos e parlamentares aliados. O fato de ter vencido a disputa estadual no primeiro turno dá mais força a Richa na briga por angariar apoios. Ele conta ainda com a desmobilização do lado adversário, motivada pela derrota do candidato da petista, Osmar Dias, e com a divisão interna no grupo da candidata, onde o governador Orlando Pessuti e o ex-governador Roberto Requião estão brigados desde o início da campanha.

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A semana passada foi marcada pela elevação das tensões entre os dois lados, motivada pelos episódios de violência que atingiram as campanhas de Serra e de Dilma. O tucano foi agredido com objetos jogados sobre ele após confronto com militantes petistas durante caminhada no Rio de Janeiro, no início da semana. Já Dilma teve bexigas cheias de água e uma bandeira atiradas sobre ela durante a passagem por Curitiba e Região Metropolitana na quinta-feira.


Chumbo trocado - O tucano reagiu acusando o presidente Lula e o PT de incitarem a violência. O presidente rebateu acusando Serra de promover uma farsa ao tentar capitalizar a agressão sofrida no Rio de Janeiro.



Para o deputado federal Gustavo Fruet (PSDB), esse nervosismo na reta final já era previsível diante da frustração do PT e de Lula de não terem conseguido liquidar a eleição no primeiro turno, como esperavam. “O tom aumenta. É inevitável. Chumbo trocado.
 

Principalmente agora que o presidente parece não ter mais freio”, avalia. Segundo Fruet, a estratégia do PSDB é concentrar esforços nas regiões Sul e Sudeste, onde Serra tem mais chances de crescer. “Ainda temos cerca de 10% de indecisos”, lembra o tucano.