Política

'Candidato 2.0' conclui que internet sozinha não elege

Da Redação ·

Depois de quase três meses de campanha eleitoral, cerca de 6 mil mensagens postadas no Twitter, centenas de e-mails e caixa postal do celular lotada de recados, o guru da internet Aleksandar Mandic esperava obter aproximadamente 50 mil votos nas eleições do último domingo para deputado federal. Mas da meta planejada para a realidade a diferença foi de 39 mil a menos. Destes, parte foi conseguida com a tradicional campanha de rua, o que o levou a concluir que a "internet sozinha não elege".

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Mandic, que concorreu pelo DEM, afirma que o que funciona mesmo é a política do "pão e circo". E o que fez chegar a esta conclusão aconteceu na pequena cidade de Jaborandi, na região de Ribeirão Preto, e que tem 4.642 eleitores, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Convidado pelo amigo Paulo Lima, Mandic foi recebido na cidade do interior paulista com banda de música, fogos e uma legião de eleitores. Fez carreata pelas poucas ruas do município e cumprimentou moradores.

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O novato nas urnas recebeu 4,25% dos votos jaborandienses, ou 146 sufrágios. Só perdeu na cidade para Dimas Ramalho (PPS), Arlindo Chinaglia (PT) - políticos de longa data e que foram eleitos -, e Dr. Samir Nassbine (PMDB), prefeito de Terra Roxa, também no interior paulista, por três vezes. "Cumprimento as pessoas e ganho voto. Na internet, onde não tenho para onde fugir (ele divulgou até celular na sua página de campanha) porque me dispus à discussão, não consegui os votos que esperava", lamenta. "O internauta vota igual aos outros eleitores."

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Mandic afirma que não tem dúvidas de que os eleitores de Jaborandi não têm nem ideia de suas propostas - entre elas internet wi-fi em locais públicos e nas estradas pedagiadas do País. "Não precisa mostrar propostas nem ser honesto para se eleger, e sim, conhecido. Faça um escândalo, apareça na mídia e depois se candidata", receita Mandic, para ter sucesso nas disputas por cargos públicos.

Mesmo com a decepção, ele conta que sua tentativa não para por aqui. "Fracassei todas as vezes que pensei em desistir", diz o empresário, um dos precursores do ramo de provedor de internet no Brasil, que ganhou inúmeros prêmios na área e foi sócio-fundador do iG. Virou até case em Harvard. Porém, não sabe se disputará as eleições municipais ou se só voltará a ter seu nome nas urnas em 2014.

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Tem, no entanto, uma única certeza: se disputar novamente, não desistirá do da alcunha de "candidato 2.0" e irá intensificar a campanha pela internet. "Não vou trocar o jeito de atuar, até porque não sei fazer de outra maneira. Se quero ser eleito, quero do meu jeito", diz.

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Lado positivo

Mas Mandic ainda tenta ver seu resultado pelo lado positivo. Dos 1.276 concorrentes a uma vaga na Camada dos Deputados, ele ficou na 225ª posição entre os mais votados. "Gostaria de ficar entre os 120 primeiros, aí ficaria super motivado. Mas no final das contas, o resultado foi bom." Destaca ainda a interação dos eleitores durante a campanha - atendeu ligações de eleitores e respondeu cerca de 6 mil tweets (posts no Twitter). "Respondi a mais tweets e atendi a mais telefonemas do que tive votos."

Nesses momentos, debatia a importância de suas propostas frente a necessidades de resolver problemas nas áreas de educação, saúde e segurança. De resto, ficou a desilusão com a política. E os recados dos eleitores na caixa postal do celular.