Política

Tiririca vota e, humilde, diz: 'Nem sei se eu vou ser eleito'

Da Redação ·
 Tiririca vota em São Paulo
fonte: Do R7
Tiririca vota em São Paulo

Rua Apeninos, Bairro da Aclimação, zona sul de São Paulo, 9h10 da manhã chuvosa deste domingo (3).

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Jornalistas trocam cotoveladas e palavrões enquanto cercam o candidato-celebridade que acaba de votar na 172ª seção da sexta zona eleitoral paulista, numa das salas de uma faculdade.

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Em meio à manada revolta, o repórter do portal R7 pergunta aos berros, como era possível, ao candidato:

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- O senhor votou em quem para deputado federal?

O cearense de Itapipoca Francisco Everardo da Silva, o palhaço Tiririca, 45 anos, o auto-proclamado abestado, responsável intelectual por criações estéticas da estirpe de Florentina e de Eu Sou Chifrudo, olha para trás, diminui um pouco o ritmo da caminhada e pensa.

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Dois segundos.

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Pensa.

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Um sorriso desamparado.

Três segundos.

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E, enfim, a resposta:

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- É, né? Federal, né? Cês num são fácil não...

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Francisco Everardo da Silva, o palhaço Tiririca, o abestado, é candidato a deputado federal em São Paulo pelo PR (Partido da República).

De acordo com os institutos de pesquisa, deverá bater todos os recordes em números absolutos de votos deste tipo de eleição proporcional no País.

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Os mais otimistas – de sua equipe e do PR, que espera eleger outros com o desempenho do candidato – falam num contêiner lotado com algo entre 900 mil e 1,1 milhão de votos.

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Tiririca chegou para votar pouco antes das nove da manhã.

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Desembarcou de um Toyota Corolla Preto na companhia da assessora de imprensa, do filho Everson Tirulipa e de Nana Magalhães, sua mulher há 13 anos, uma morena que ao lado dele tem a beleza efetiva amplificada algumas vezes pela verdade sempre cruel dos distanciamentos estéticos radicais.

Tiririca não estava de Tiririca.

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Foi de Francisco Everardo mesmo: camisa pólo azul e calça jeans.

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Sem peruca tosca, sem chapéu de palha torto, sem calças a desafiar curvas que a rigor jamais podem ser desafiadas e sem aquelas camisas de estampas indescritíveis.

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Visivelmente espantado com a confusão, sempre cercado pela manada revolta de cinegrafistas, repórteres e fotógrafos, Tiririca entrou na faculdade, caminhou até a sala de sua seção, votou, saiu e foi para a porta do carro com rapidez.

Tudo em apenas 12 minutos.

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Depois de ter caído em algumas ciladas da imprensa nos últimos dias, entre elas uma que questionou sua capacidade de ler e de escrever, limitação que pela lei impede as pessoas de serem candidatas, Tiririca passava a sensação de que não estaria ali nem por um decreto se fosse possível a um concorrente não votar e, mesmo assim, não se queimar.

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Parecia estar ali exclusivamente porque não votar, para um candidato, pega mal.

Uma sensação absolutamente compartilhada por familiares e assessores.

Enquanto caminhava de volta, limitou-se a responder às perguntas com monossílabos e lugares comuns como “vamos esperar a apuração” e “minha intenção é fazer o máximo para os pobres”.

Na porta do carro, a reportagem do R7 quis saber qual foi sua reação ao saber do boato, espalhado pela internet neste sábado (2), de que teria morrido.

- Pois é rapaz: tomei o maior susto quando soube que morriiiiiiii – assim mesmo, num grito, puxando o í nos agudos que costuma dar.

A jornalistada parou de se acotovelar por alguns instantes para rir da piada do abestado.

Perguntado se ainda iria correr outras seções com figurões de seu partido, para dar aquela forcinha, saiu-se com essa:

- Mas rapaz, eu nem sei se eu vou me eleger! Como é que posso ajudar os outros, essa turma, toda essa gente que vocês estão falando, menino?

A manada foi obrigada a parar novamente de se acotovelar para rir de outra piada do abestado.