Política

Para Alvaro Dias, eleitores vão rejeitar velhos partidos em 2018; senador vai se filar ao 'Podemos'

Da Redação ·
​No próximo dia 1º de julho o senador paranaense Alvaro Dias se filia ao partido “Podemos” - nFoto: Agência Senado
​No próximo dia 1º de julho o senador paranaense Alvaro Dias se filia ao partido “Podemos” - nFoto: Agência Senado

No próximo dia 1º de julho o senador paranaense Alvaro Dias se filia ao partido “Podemos”, novo nome do antigo PTN (Partido Trabalhista Nacional). Na mesma ocasião assina ficha de filiação o senador carioca e ex-jogador de futebol Romário (PSB-RJ). O lançamento nacional da nova sigla será no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília.

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Embora não confirme, Alvaro Dias está buscando um partido novo com a intenção de disputar a Presidência da República nas eleições de 2018. O veterano político paranaense quer se desvincular dos grandes e atuais partidos que, de uma forma ou de outra, estão envolvidos em denúncias de corrupção e financiamentos de campanhas eleitorais com recursos de propina, conforme investigações que ocorrem no âmbito da Lava Jato.

Para o senador paranaense, os atuais partidos, sobretudo os velhos, serão rejeitados pelos eleitores na próxima eleição presidencial que, no seu entender, será decisiva para comprovar os resultados da operação Lava Jato.Alvaro Dias iniciou sua carreira política como vereador, em Londrina, pelo antigo MDB. Foi deputado estadual, duas vezes deputado federal, governador e está no seu quarto mandato como senador da República.Confira entrevista do senador concedida nesta semana à Tribuna do Norte:

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Para Alvaro Dias, eleitores vão rejeitar velhos partidos em 2018; senador vai se filar ao 'Podemos' fonte: Reprodução

Alvaro Dias é pré-candidato a presidente (Foto: Divulgação)

TRIBUNA DO NORTE - O sr. era do PSDB, passou para o PV e agora está indo para o partido “Podemos”. Por que esta troca partidária em tão pouco tempo?
ALVARO DIAS -  Os partidos atuais serão rejeitados nas eleições. O que se tenta é criar uma alternativa nova, moderna, que use especialmente os avanços das mídias eletrônicas para se comunicar permanentemente com os cidadãos. Será algo limpo, sem passado. 

TN -  O sr. está mesmo disposto a disputar a Presidência da República nas eleições de 2018?
ALVARO DIAS -  Não se pode criar um partido postulando nada. Mas claro que posso atender a uma convocação se for chamado. É nesses termos que eu me coloco. 

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TN -  O sr. é considerado um dos poucos parlamentares no Congresso Nacional que não estão envolvidos em denúncias de corrupção. Seria este o seu motivo para disputar a Presidência da República?
ALVARO DIAS -  Acredito que a próxima eleição presidencial será definitiva para comprovar os resultados da operação Lava Jato. E os brasileiros estarão de olho nos candidatos que, comprovadamente, não tiveram relação com os grandes escândalos de corrupção denunciados nos últimos anos.

TN -  É possível disputar a Presidência da República desvinculado dos grandes partidos como PMDB, PSDB e outros que também são acusados de financiar campanhas eleitorais com dinheiro de propina e caixa 2
ALVARO DIAS - É o que eu venho defendendo há muitos anos. O fim do balcão de negócios e da política do toma lá dá cá. Acredito que essa seja a raiz de todos os males, e também acredito ser possível governar sem rimar governabilidade com promiscuidade.

TN -  Como está vendo todo este escândalo de corrupção envolvendo parlamentares, ministros e até o presidente da República Michel Temer
ALVARO DIAS - Vejo com muita tristeza, mas também com esperança. O fato de grandes autoridades estarem sendo denunciadas e julgadas comprova a mudança de rumo na justiça brasileira. E o País só tem a ganhar com a ousadia dos investigadores e julgadores.

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TN -  O sr. é a favor das reformas propostas pelo governo de Michel Temer, como a da Previdência e Trabalhista? Não acha que elas tiram direitos dos trabalhadores?
ALVARO DIAS - Sou um defensor das reformas, mas não votarei a favor de nenhum dispositivo que retira direitos e prejudique os trabalhadores.

TN -  O que é preciso fazer para tirar o País desta longa e perversa crise política e econômica?
ALVARO DIAS -  Estamos trilhando o caminho das mudanças, mostrando o quanto a corrupção foi perversa e quebrou o País. Agora, precisamos renascer das cinzas. Por enquanto, soluções paliativas estão sendo adotadas pelo governo, como a adoção de um teto de gastos e medidas para reaquecer a economia. Mas só um novo presidente legitimado pelo voto popular pode dar um novo rumo ao País.

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Novo partido será lançado dia 1º de julho
O novo partido Podemos terá seu lançamento nacional no dia 1º de julho, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. O Podemos, que sucede o Partido Trabalhista Nacional (PTN), teve a troca de estatuto e de nome homologada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no dia 16 de maio.

De acordo com a sua direção nacional, o Podemos pretende aproximar a política dos anseios da população brasileira, que vem ocupando as ruas desde 2013 para protestar contra a corrupção e a falta de transparência na política. Assim, o Podemos não significa apenas a mudança de nome de um partido; trata-se de modificar o comportamento político, atualizando a democracia e resgatando a esperança dos brasileiros. 

Para isso, ainda segundo direção nacional, o Podemos defende transparência, maior participação da população e ações de democracia direta. O movimento não se define como de esquerda ou de direita, pois considera superado esse modelo ideológico, que não se comunica mais com a maioria da sociedade.

'Herança muito boa'
Para a presidente do partido, a deputada federal Renata Abreu (SP), “o Podemos nasce com uma herança muito boa do PTN, partido que teve o maior crescimento no País (150%) em número de prefeitos eleitos em 2016, subindo de 12 para 30. Já o número de vereadores saltou de 428 para 764. E o número de deputados federais subiu de três para 13 em 2014”, informa a deputada