Política

Dilma: Serra usar imagem de Lula é estratégia 'elitista'

Da Redação ·

A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, classificou como "elitista" a estratégia de seu adversário José Serra (PSDB) de utilizar a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua propaganda eleitoral na TV. Ela disse acreditar que, mesmo com o uso, os eleitores terão capacidade de identificar os candidatos que fizeram oposição ao governo.

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"Eu acho que é um pouco arriscada essa tentativa, que parece supor que o nosso povo seja muito ingênuo. (É) uma visão elitista sobre o povo, de que ele não tem condições de ter senso critico", afirmou. "O que me assusta é o fato de críticas pesadas ao nosso governo ocorrerem em debates durante a tarde e, de noite, o presidente Lula ser usado dentro de programas políticos", completou.

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Dilma classificou como um resultado de uma "relação republicana" o fato de Lula ter aparecido em eventos ao lado de Serra no passado, mas alegou que ela e seu adversário têm programas diferentes nestas eleições. "Nós nos pautamos sempre por ter uma relação republicana com todos os prefeitos e governadores, e não é possível confundir relação republicana nem com apoio nem com nós estarmos no mesmo projeto", avaliou a petista, após participar de um comício em Vitória.

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A candidata participou pela primeira vez de um evento oficial de campanha no Espírito Santo. Apesar de evitar um discurso baseado apenas em ataques a seus adversários, Dilma adotou uma postura crítica às plataformas tucanas nesta campanha. Após um almoço para cerca de 500 correligionários, Dilma rebateu o uso do Programa Universidade Para Todos (ProUni) e das escolas técnicas pelo partido.

"O ProUni possibilitou que 700 mil estudantes tivessem acesso à universidade através de uma bolsa, e é importante que vocês saibam que aqueles que hoje falam que o ProUni é ótimo são os mesmos que entraram no Supremo Tribunal Federal (STF) querendo acabar com o ProUni, tornando-o ilegal", declarou a candidata. "Aquela história de que não se pode olhar pelo retrovisor, vocês também não acreditem, porque, se a gente não olhar pelo retrovisor, a gente não aprende", disse a petista, em referência a uma afirmação de Serra.

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Pré-sal

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Em um dos Estados que mais se beneficiarão com a exploração do petróleo na camada pré-sal, Dilma não esclareceu se vetaria a emenda que propõe a distribuição igualitária dos royalties entre todas as unidades federativas, mas afirmou que "o risco de inconstitucionalidade é muito alto" e aproveitou para alfinetar Serra, sem citar seu nome.

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"Eu acho absolutamente estranho que as pessoas falem uma coisa no Espírito Santo sobre royalties e outra coisa sobre royalties no Ceará", disse. "Eu falo a mesma coisa: nós não queríamos que o projeto de royalties fosse votado. A gente não queria que se contaminasse essa discussão pelo processo eleitoral."

Apoio

No fim da tarde, Dilma se reuniu com o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), que declarou apoio à candidata nas eleições presidenciais. A ex-ministra agradeceu a postura de Hartung e avaliou que trata-se de um "apoio qualificado".  

Na visita à capital do Espírito Santo, Dilma também passeou em carro aberto com o presidente do PT, José Eduardo Dutra, com o candidato ao governo pelo PSB, Renato Casagrande, com o prefeito de Vitória, João Coser, e com os candidatos ao Senado Magno Malta (PR) e Ricardo Ferraço (PMDB).