Política

Beto e Osmar escondem estratégias sobre horário eleitoral

Da Redação ·
 Beto: para se garantir no topo
fonte: Google Imagens
Beto: para se garantir no topo

Os dois principais candidatos ao governo do Paraná, o ex-prefeito de Curitiba Beto Richa (PSDB) e o senador Osmar Dias (PDT), tentam ao máximo esconder suas estratégias para o horário eleitoral gratuito, que começa na próxima terça-feira.

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Beto e Osmar são os detentores dos maiores tempos no rádio e na TV, o primeiro com tempo de 6 minutos, 47 segundos e 21 centésimos de segundo, enquanto Osmar terá 6m33s15.

Mesmo sem falar muito sobre o assunto, os responsáveis pela campanha de Beto e Osmar prometem que os programas serão baseados em propostas, sem troca de ofensas. Para confirmar, só mesmo esperar para ver os próximos 45 dias de programas obrigatórios.

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Um dos responsáveis pela campanha de Beto, o marqueteiro Nelson Biondi diz apostar no produto que tem nas mãos e que o programa será pragmático para apresentar as propostas do candidato.

"Por entender que nosso candidato é a melhor arma que nós temos, o programa todo vai girar em torno dele. Sem grandes alegorias, não precisamos inventar nada. Dessa forma esperamos manter ou ampliar a dianteira que as pesquisas têm mostrado que a gente tem", afirma.

O plano de governo de Osmar vai ser detalhado por região e sobre o que é possível fazer para promover o desenvolvimento econômico de cada uma das regiões do Estado.

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"Vamos sempre partir de um viés que a matriz econômica do Paraná é a agricultura. Vai ser um programa para transmitir ideias e propostas", define Osmar.

O tom que vai ser adotado pelo candidato Paulo Salamuni (PV) deve estar bem próximo daquele que a presidenciável do partido, Marina Silva, vem apresentando, com a divisão em oito áreas consideradas fundamentais, tendo evidentemente o meio ambiente entre elas, conforme explica o presidente estadual do PV, Melo Viana. "Salamuni vai assumir um tom educativo e, por opção própria do candidato, será propositivo.

Haverá relação com a candidatura de Marina, com nuances diferentes, mas basicamente o mesmo, assim como definido em outros dez estados pelo PV", antecipa o presidente estadual do PV. Salamuni terá direito a um tempo de 01m09s71 no rádio e na TV.

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Com direito a pouco mais de 55 segundos no horário eleitoral, o candidato Luiz Felipe Bergmann (PSOL) quer chamar a atenção dos eleitores. "O horário já tem toda a fama entre a população de ser um espaço chato, queremos inverter esta situação. De forma leve e descontraída e ao mesmo tempo de forma séria vamos mostrar imagens da realidade do estado do Paraná, com abordagens temáticas", diz Bergmann.

O que esperar

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Embora o discurso inicial seja de que será mantido um tom propositivo no horário eleitoral, sem embates, a análise da cientista política e professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Luciana Veiga é de que isso, o embate, deve, sim, ocorrer, principalmente entre os dois principais candidatos na disputa pelo governo, Beto e Osmar.

"Minha expectativa é de que vai ter que ser uma campanha de embate, porque ela está muito disputada. Um (candidato) não tem como crescer sem diminuir a credibilidade do outro, não dá para fingir que o outro não existe", analisa.

Os ataques, destaca Luciana, não precisam ser diretos ou ofensivos, mas não vão ficar de fora. "As pessoas não gostam de ataques pessoais, mas a crítica vai ter que acontecer. Mesmo que isso não faça parte da personalidade dos dois, de alguma maneira eles vão ter que reduzir a credibilidade do outro para trazer voto para si próprio, talvez outro político fazendo isso, ao invés dos próprios candidatos", opina.

Para a cientista política, alguns dos meios que devem ocorrer é Osmar colocar em xeque a eficiência administrativa de Beto e, do outro lado, Beto mencionar a afinidade de Osmar com o grupo político em que ele está inserido, marcadamente com o candidato ao Senado e ex-governador Roberto Requião (PMDB).

Ainda segundo Luciana, em algumas campanhas, o início do horário eleitoral não interfere de forma acentuada na escolha dos candidatos por parte dos eleitores, mas em outras pode acontecer um processo grande de reversão de votos.

"No caso específico do Paraná, o que a gente percebe é que o horário eleitoral vai ser muito importante, porque há dois candidatos de ponta disputando voto lado a lado, podendo migrar de um para outro, inclusive", diz.