Política

Lula volta a pedir que eleitores falem com senadores e critica Temer 

Da Redação ·
Petista fez um discurso curto para uma plateia formada por sindicalistas e integrantes de movimentos sociais
Petista fez um discurso curto para uma plateia formada por sindicalistas e integrantes de movimentos sociais

Com sinais de cansaço e diante de uma plateia sem o ânimo de palanques anteriores, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou na manhã desta quarta-feira (13) em Caruaru, no agreste de Pernambuco, para repetir o discurso dos últimos dois dias de combate ao que chama de golpe, de apoio à presidente afastada Dilma Rousseff e de críticas ao interino Michel Temer.

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Com voz rouca e sem o tom inflamado como o de costume, o petista fez um discurso curto para uma plateia formada por sindicalistas e integrantes de movimentos sociais no evento chamado de Caravana pela Defesa da Democracia.

Antes da chegada do ex-presidente, o público não demonstrava grande empolgação -tanto que organizadores, ao microfone, diziam o tempo todo: "Vamos se animar, pessoal. Tá fraco".

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Na cidade, nada lembrava os antigos comícios de Lula que costumavam mobilizar multidões, sobretudo na sua região de nascimento. "Eu não sabia que ia ter coisa de político aqui, nem que era Lula que vinha", disse a microempresária, Margarida Santana, 48, vizinha ao local.

Lula, que desde segunda-feira (13) tem percorrido cidades nordestinas em apoio à presidente afastada, repetiu o apelo feito no dia anterior em Carpina (PE) de pressionar os senadores por meio do aplicativo WhatsApp para que votem contra o impeachment da petista.

"Não gastem dinheiro indo a Brasília, Petrolina ou Recife. De dentro das suas casas peguem o celular e mandem 'zap zap' para os senadores. Dilma precisa de 28 votos para voltar à presidência, ela já tem 22", disse, de cima de um trio elétrico improvisado como palanque.

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De acordo com Lula, a pressão precisa recair, principalmente, sobre "um senador pernambucano que foi ministro da Dilma, mas que agora está agindo como um traidor", disse, referindo-se a Fernando Bezerra Coelho (PSB).

Durante cerca de 15 minutos, Lula voltou a criticar o presidente interino, a quem acusou de ter dado uma "facada nas costas de Dilma", e também o deputado Eduardo Cunha.

"Sem capacidade de se eleger, Temer fez igual aos militares em 1964: deu um golpe se aproveitando da sacanagem de Cunha contra Dilma no Congresso", afirmou.

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A passagem rápida de Lula por Caruaru frustrou a comerciante Iraci Maria dos Santos, 53, que saiu de Garanhuns para ver o ex-presidente.

"Cheguei à meia noite com a minha mãe que tem 90 anos porque queria mostrar meu apoio a Lula e a Dilma. Pena que foi rápido, mas valeu", afirmou, enquanto segurava um dos poucos cartazes de apoio aos petistas.

Acompanhado do senador Humberto Costa (PT) e de políticos locais, Lula saiu escoltado pela guarda municipal de Caruaru. O ex-presidente seguiu para uma reunião fechada no acampamento Normandia, do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), na região de Caruaru. À noite o ex-presidente encerra, no Recife, seu périplo pelo Nordeste, quando retorna a São Paulo.