Política

Primeiros discursos no Senado nesta quarta são a favor do impeachment

Da Redação ·
De acordo com a lista de inscritos, que até o momento tem o registro de 68 congressistas - Foto: Agência Senado
De acordo com a lista de inscritos, que até o momento tem o registro de 68 congressistas - Foto: Agência Senado

DÉBORA ÁLVARES, MARIANA HAUBERT E LEANDRO COLON
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Os cinco senadores que discursaram no primeiro bloco da sessão do impeachment que acontece no Senado nesta quarta-feira (11) são favoráveis à abertura do processo contra a presidente Dilma Rousseff. Os trabalhos foram suspensos por uma hora, conforme previsto, às 12h30.
De acordo com a lista de inscritos, que até o momento tem o registro de 68 congressistas, outros 63 senadores ainda subirão à tribuna para defender seus posicionamentos.
A primeira a discursar foi a senadora Ana Amélia (PP-RS). Na Câmara, o partido da senadora orientou voto a favor do impeachment de Dilma. Ao falar, ela citou os níveis de desemprego, taxa de juros e inflação e afirmou que "é nessa hora que a população sabe o preço e o curso das tais pedaladas fiscais".
Mencionando o pronunciamento do papa Francisco, que pediu nesta quarta "paz e harmonia" ao falar da situação do Brasil, a senadora completou: "Precisamos de paciência, serenidade e responsabilidade".
O senador José Medeiros (PSD-MT) avaliou que as pedaladas fiscais "varreram a sujeira para debaixo do tapete". "Os tempos são tão difíceis quanto democráticos", disse, criticando ainda o que chamou de "chincanas e manobras" para tentar barrar o processo.
Para o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), não há mais volta para o processo de impeachment que só ocorreu por "irresponsabilidade" da presidente da República. "Dilma perdeu todas as oportunidades e agora é tarde. Com a mesma teimosia, a mesma inépcia, a mesma irresponsabilidade, escorada em chamados movimentos sociais que são a expressão de um radicalismo que o povo não admite, não aceita".
Ex-ministra do governo Dilma, a senadora Marta Suplicy (PMDB-SP) disse não duvidar de que há indícios suficientes para que a presidente seja afastada do cargo. "Estou convencida do crime de responsabilidade cometido pela presidente da República. A gravíssima situação brasileira pede ações refletidas, porém rápidas. Temos que recuperar e criar empregos, investir em tecnologia e educação de qualidade".
Por fim, o tucano Ataídes Oliveira (TO) falou ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao vice-presidente Michel Temer.
Ao petista, culpou-o pelo que classificou como "desastre", dizendo que foi Lula quem colocou "essa criatura", se referindo à Dilma, "para governar o país". "Dilma vai ser cassada e você vai responder por tudo o que fez".
Mandou ainda um recado a Temer. "Futuro presidente Michel Temer, não decepcione o povo brasileiro. Seu governo terá meu apoio para implantar as medidas necessárias, mas não deixarei de fiscalizá-las também."
A sessão começou com uma hora de atraso e já teve intervenções do PT logo no início, que apresentou questionamentos e pedidos de suspensão dos trabalhos até que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Teori Zavascki analisasse a ação da defesa de Dilma sobre a reviravolta do impeachment dos últimos dias.
O ministro negou o recurso apresentado pela AGU no final da manhã.
Calheiros negou todas as tentativas de intervenção na sessão, alegando que cumpriu tudo o que está previsto no regimento, na lei 1.079/50, que regulamenta o impeachment, e a Constituição Federal, bem como o rito imposto pelo STF.

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