Política

Presidente do PT diz que Temer 'acena com o fim do combate à corrupção'

Da Redação ·
Presidente nacional do PT, Rui Falcão - Foto: Divulgação
Presidente nacional do PT, Rui Falcão - Foto: Divulgação

Em um discurso fechado com a chancela do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, afirmou nesta quinta-feira (14) que o vice-presidente Michel Temer e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), "acenam com a expectativa de que o combate à corrupção será interrompido" caso seja aprovado o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

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Segundo Falcão, Temer e Cunha comandam um "golpe" e tentam convencer parlamentares e dirigentes partidários a votar a favor do impedimento de Dilma utilizando, entre outros argumentos, a tese de que o combate à corrupção no país será "barrado" em um eventual governo peemedebista. 


"É de se supor que muitos alimentam a ideia de que o combate à corrupção, que vem sendo feito implacavelmente pelos nossos governos, mas que há de continuar em respeito ao Estado democrático de direito, sem espetáculo e seletividade... há uma expectativa, que muitos acenam com ela, de que o combate à corrupção será interrompido, barrado. Isso é um dos motivos sinistros que se escondem atrás do golpe, além da vontade de poder, além da troca de cargos", afirmou o presidente do PT em entrevista coletiva. 

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O dirigente petista tem conversado frequentemente com Lula e com parlamentares de diversos partidos e viu, nos últimos dois dias, a debandada de siglas importantes da base do governo, como PP e PSD. Inicialmente, os dois partidos tinham suas bancadas majoritariamente contabilizadas pelo Planalto como votos pró-Dilma. 


Falcão manteve a estratégia do governo de fazer um discurso duro contra Temer, associando-o a Cunha e conclamando os parlamentares, que devem votar o impeachment no plenário da Câmara neste domingo (17), a "ouvir a voz das ruas". 


"Não acredito que os parlamentares brasileiros se deixem levar pelas pesquisas feitas por encomenda, por falsas tabelas que antecipam resultados, estimulando até que alguns se sentem na cadeira antes da hora, revelando uma certa empáfia, uma certa arrogância e não escondendo o desejo de ter o poder pelo poder, mesmo que seja a qualquer custo", afirmou. 

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Sem citar o nome do vice-presidente, Falcão se referia ao programa anunciado por Temer em discurso divulgado "por engano", segundo o peemedebista, no início da semana. Para Falcão, ele quer "impor sacrifícios à população".
"Esse país sério, esse país respeitado, não pode se transformar numa republiqueta vítima de um golpe comandado por um vice-presidente que, além de conspirar há algum tempo, trai sua própria companheira de chapa", disse.
"Um golpe também comandado por alguém que é réu por vários crimes a ele imputados no STF, associado com um grupo que perdeu a eleição pela quarta vez e, inconformado, tenta usurpar um mandato popular através da força disfarçada de legitimidade parlamentar", concluiu Falcão em referência a Cunha.

CAOS  - Diante de um cenário bastante ruim para o governo, que tem perdido apoio nos últimos dias e vê cada vez mais dificuldade em conseguir os 172 votos para barrar o impeachment, Falcão disse que é um "erro" imaginar que o impedimento de Dilma trará "paz, segurança e investimento" para o país.
"Quem não respeita o voto popular vai mergulhar o país no caos e na instabilidade permanente", disse. 


Segundo Falcão, caso o governo consiga barrar o impeachment no plenário da Câmara, no domingo, "o ex-presidente Lula estará lado a lado com a presidente da República para ampliar o diálogo" e fazer as mudanças econômicas e sociais que o PT e Lula defendem. 

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O presidente petista não quis responder nenhuma pergunta sobre o cenário caso o impeachment seja aprovado. "Não trabalho com essa hipótese", mas afirmou que o PT não reconhece nenhum tipo de governo "ilegítimo". 


Segundo a reportagem apurou, caso o impeachment seja aprovado, o PT e o ex-presidente Lula vão pedir que a base social do partido se mantenha mobilizada nas ruas e não vai colaborar com o eventual governo Temer, colocando-se em radical oposição.