Política

MST usa caixões em protesto contra morte de sem-terra no Paraná

Da Redação ·

LUIZ CARLOS DA CRUZ E JULIANA COISSI
QUEDAS DO IGUAÇU E CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) - Caixões e bandeiras do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) deram o tom do protesto realizado na manhã deste sábado (9) contra a morte de dois sem-terra em confronto com a Polícia Militar, em Quedas do Iguaçu, no sudoeste do Paraná, na quinta (7).
Cerca de 1.500 pessoas, segundo a PM, participam do ato organizado pelo MST. O movimento calcula 8.500 manifestantes.
Em frente aos manifestantes, 23 caixões lembravam as duas vítimas do confronto recente, os 19 sem-terra mortos em Eldorado dos Carajás, no Pará, em abril de 1996, e outras duas vítimas de conflito agrário também em Quedas do Iguaçu, em 1998.
Na plateia, havia bandeiras e cartazes do MST e de movimentos indígenas, além de faixas com a mensagem: "PM assassina".
Em discurso na cidade, a senadora Gleise Hoffman (PT-PR) responsabilizou o governador Beto Richa (PSDB) pela morte dos sem-terra, argumentando que ele é quem comanda a PM paranaense.
Gleisi pediu ao público que não generalize a crítica à PM, que, segundo ela, obedece o comando do governador Beto Richa e do chefe da Casa Civil Valdir Rossoni, que era deputado federal pelo PSDB e se licenciou para assumir o cargo.
São eles, disse a senadora, os dois responsáveis pela morte dos sem-terra. Gleisi também aproveitou para defender a presidente Dilma Rousseff, protestando contra o impeachment em seu discurso.
Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa do governador Beto Richa disse que "antes de atacar as pessoas com mentiras, a senadora tem que explicar as graves denúncias da Lava Jato envolvendo seu nome".
'NÃO VAI TER GOLPE!'
A manifestação também se tornou um ato de apoio a Dilma, com gritos de "Não vai ter golpe!"
Além de Gleisi, estavam presentes deputados estaduais do Rio Grande do Sul, Bahia e Sergipe e líderes gaúchos e catarinenses do MST.
Morreram na quinta-feira os sem-terra Vilmar Bordin, 44, e Leomar Bhorback, 25. A Secretaria de Estado da Segurança Pública diz que os seis policiais que estavam no local foram vítimas de uma emboscada, mesmo argumento usado pelos sem-terra. Nenhum PM foi baleado.
Nesta sexta, em entrevista à imprensa, a Polícia Civil divulgou trecho de depoimento de um dos seis sem-terra feridos na ação. Ele afirmou que as mortes ocorreram depois que um sem-terra deu um tiro, para cima, e um policial revidou.
Pela versão da PM apresentada nesta sexta, seis policiais foram à fazenda, onde funciona a empresa Araupel, para verificar a extensão dos danos de um incêndio. Estavam acompanhados de funcionários da empresa.
Ainda segundo a PM, o grupo foi abordado por sem-terra em uma moto. Na sequência, apareceram mais motos, uma caminhonete S-10 e um ônibus, houve o disparo e os policiais reagiram. A PM não confirmou se havia marcas de tiros nos pneus ou na lataria dos carros policiais.

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