Política

Ex-presidente Lula afirmou que só sairia de casa algemado, diz Polícia Federal

Da Redação ·
Na segunda-feira (11) à noite Lula  participou de um ato com artistas e intelectuais nos Arcos da Lapa, no centro do Rio de Janeiro - (Foto: Instituto Lula)
Na segunda-feira (11) à noite Lula participou de um ato com artistas e intelectuais nos Arcos da Lapa, no centro do Rio de Janeiro - (Foto: Instituto Lula)

Em relatório divulgado neste domingo (6), o delegado Luciano Flores Lima, da Polícia Federal, afirmou que o ex-presidente Lula se negou, num primeiro momento, a deixar sua casa para prestar depoimento em uma sala do aeroporto de Congonhas, na sexta (4), durante a 24ª fase da Lava Jato.

"Informei ao ex-presidente Lula que deveríamos sair o mais rápido possível daquele local, em razão da necessidade de colhermos suas declarações, a fim de que sua saída do prédio fosse feita antes da chega de eventuais repórteres e/ou pessoas que pudessem fotografar ou filmar tal deslocamento", disse o delegado.

Foi quando Lula, segundo ele, se negou a acompanhá-lo: "Foi dito por ele que não sairia daquele local, a menos que fosse algemado. Disse ainda que, se eu quisesse colher as declarações dele, teria de ser ali. Respondi então que não seria possível fazer sua audiência naquele local por questões de segurança, pois tão logo alguém tomasse conhecimento disso, a notícia seria divulgada e poderia ocorrer manifestações e atos de violência nos arredores daquele local, o que prejudicaria a realização do ato", informou o delegado, em documento tornado público pela Justiça Federal do Paraná.

A manifestação da PF ocorre em meio à polêmica sobre a condução coercitiva de Lula determinada pelo juiz federal Sérgio Moro na sexta. O ex-presidente e aliados, como a presidente Dilma Rousseff, consideravam a medida abusiva.

Pelo relato do delegado, Lula foi informado de que, caso se recusasse a acompanhar a autoridade policial para prestar esclarecimentos fora de casa, seria então aplicada a condução coercitiva, ou seja, o petista seria levado à força para depor. "Momento em que lhe dei ciência de tal mandado", diz Flores Lima. 

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Segundo o delegado, após conversar com o advogado Roberto Teixeira por telefone, Lula concordou em seguir para o aeroporto de Congonhas. "Logo depois de ouvir as orientações do referido advogado, o ex-presidente disse que iria trocar de roupa e que nos acompanharia para prestar as declarações", afirma o relatório da polícia. 


De acordo com o delegado, as perguntas e respostas do depoimento de Lula foram gravadas em áudio e vídeo para posterior transcrição. "Após a assinatura do termo [do depoimento], foi permitida a entrada no local de diversos parlamentares federais que batiam na porta e chegaram a forçar para entrar naquele recinto, durante a audiência", destacou Flores Lima.
"São as informações que consideramos que devem ser apresentadas neste momento, sem prejuízos de eventuais complementos caso sejam necessários", ressaltou.