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Dirceu chega à carceragem da PF em Curitiba sob grito de 'ladrão" e foguetes

Preso na nova fase da Operação Lava Jato, o ex-ministro José Dirceu chegou por volta das 17h30 desta terça-feira (4) na sede da Polícia Federal em Curitiba, sede das investigações, sob gritos e foguetes. Cerca de 50 pessoas, abraçadas a bandeiras do Brasi

Da Redação

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José Dirceu em carro da PF (Foto: Agência Brasil)
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José Dirceu em carro da PF (Foto: Agência Brasil)
Escrito por Da Redação
Publicado em 04.08.2015, 17:55:00 Editado em 27.04.2020, 19:57:41
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Preso na nova fase da Operação Lava Jato, o ex-ministro José Dirceu chegou por volta das 17h30 desta terça-feira (4) na sede da Polícia Federal em Curitiba, sede das investigações, sob gritos e foguetes. 

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Cerca de 50 pessoas, abraçadas a bandeiras do Brasil e com buzinas, apitos e faixas elogiando a Justiça e a Polícia Federal, aguardavam o ex-ministro em frente à sede da PF. Gritavam "ladrão" e "vagabundo".
Uma delas soltou fogos quando Dirceu chegou ao local, escoltado por policiais e dentro de uma viatura. "José Dirceu ladrão, o seu lugar é na prisão", gritou outro. "Polícia Federal, orgulho nacional", afirmava outro grupo. 

O ex-ministro entrou direto no prédio na PF, sem aparecer para o batalhão de jornalistas que o aguardava. Ele aterrissou na cidade em um avião da PF, vindo de Brasília, pouco depois das 16h40. O voo durou cerca de 2 horas e 20 minutos. 

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Entre os manifestantes, havia integrantes de movimentos organizados, como o Acorda Brasil, o Movimento Brasil Livre e o Direita Curitiba. Outros diziam ter ido sozinhos. "É o primeiro dos grandes. Se o povo não vier apoiar, pode acabar em pizza", disse a psicóloga Liliana Padilha, 53, que estava desde as 15h na PF com o marido, o engenheiro aposentado Carlos Padilha, 58. 

"É o cabeça do esquema. Que maravilha ele estar preso", elogiava a dona de casa Rosane Sachet, 61, abraçada a uma bandeira do Brasil.
Até mesmo os servidores da PF saíram do prédio ou se posicionaram nas janelas para acompanhar a chegada do ex-ministro.
Dirceu cumpria prisão domiciliar desde novembro em Brasília pela condenação no escândalo do mensalão. Sua transferência a Curitiba foi autorizada pelo ministro Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal). 

Ele irá permanecer detido na carceragem da PF, no bairro Santa Cândida, a oito quilômetros do centro da cidade. 

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No local, já estão outros 14 presos da Lava Jato, como o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, além dos outros sete detidos na última fase da Lava Jato, deflagrada nesta segunda (3). 

Na carceragem da PF, a comida é servida três vezes por dia, com talheres de plástico. Os presos têm direito a uma hora de sol diariamente, e precisam limpar a própria cela. Às quartas-feiras, eles recebem visitas de familiares e amigos. Conversam por cerca de meia hora em um parlatório, por meio de um telefone, separados por um vidro. 

'PIXULECO' 

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O petista foi preso nesta segunda (3), na casa onde mora, em Brasília, durante a 17ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Pixuleco.
Ele foi apontado pelo Ministério Público Federal como um dos responsáveis pela criação do esquema de corrupção na Petrobras. 

"Chegamos a um dos líderes principais, que instituiu o esquema, permitiu que ele existisse e se beneficiou dele", disse o procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, um dos responsáveis pelas investigações. 

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Os procuradores da Lava Jato apontam Dirceu como responsável pela indicação do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, que foi responsável pela negociação de contratos de obras da Petrobras de 2003 a 2012 e é acusado de cobrar propina dos fornecedores da estatal. 

O procurador Lima afirmou que o esquema de corrupção na Petrobras reproduziu características do mensalão, porque parte do dinheiro abasteceu políticos do PT e de outros partidos governistas. "O DNA é o mesmo: compra de apoio partidário", disse. 

Para ele, o esquema foi "sistematizado" no governo Lula. Questionado se o ex-presidente também seria investigado, Lima disse que "nenhuma pessoa no regime republicano está isenta de ser investigada". 

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MAL ESTAR 

Nesta segunda, Dirceu chegou ao prédio da PF queixando-se de mal estar e solicitou a presença de um médico de sua confiança. Segundo o delegado da Polícia Federal, Luciano Lima, foi constatado que o ex-ministro -que já esperava que fosse preso estava com pressão alta. Ele foi medicado e passa bem. 

O delegado relatou ainda que Dirceu comeu a mesma marmita que os demais presos, porém, sem sal, em virtude de sua condição de saúde.
No final da tarde desta segunda, o petista recebeu a visita de sua companheira, Simone Patrícia Tristão Pereira. Ela levou roupas e roupas de cama para Dirceu. 

Como foi examinado na superintendência, o ex-ministro não precisou fazer exame corpo de delito. 

'PRISÃO POLÍTICA' 

O advogado do ex-ministro José Dirceu, Roberto Podval, afirmou nesta segunda que os pagamentos recebidos pela empresa de seu cliente referem-se todos a serviços prestados. A prisão de Dirceu não tinha "justificativa jurídica", segundo o defensor, que a classificou como "política". 

Disse ainda que Dirceu se tornou um "bode expiatório" da Operação Lava Jato. 

"A justificativa colocada me parece mais uma justificativa política", declarou Podval. Questionado, explicou que o juiz federal Sergio Moro reagiu "a uma pressão popular" ao decretar a prisão.

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