Política

Dilma pede compreensão ao PT e que militância saia em sua defesa 

Da Redação ·
Dilma sanciona lei que endurece as regras para seguro-desemprego - Foto: Arquivo
Dilma sanciona lei que endurece as regras para seguro-desemprego - Foto: Arquivo

MARINA DIAS E CÁTIA SEABRA, ENVIADAS ESPECIAIS, E JOÃO PEDRO PITOMBO
SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) - Diante de dirigentes petistas insatisfeitos com a condução de sua política econômica, a presidente Dilma Rousseff disse nesta quinta (11) que o PT deve "fazer a leitura correta da conjuntura" e pediu que a militância saia em defesa de seu governo.

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Em discurso na abertura do 5º Congresso Nacional da sigla, em Salvador, a presidente justificou o ajuste fiscal e disse que essas são medidas necessárias para fazer o Brasil voltar a crescer.


"O PT é um partido preparado para entender que, muitas vezes, as circunstâncias impõem movimentos táticos para alcançar o objetivo mais estratégico, a transformação do Brasil em uma nação desenvolvida e mais justa."
No momento em que PT e Dilma parecem cada vez mais distantes, a presidente pediu que ambos caminhem unidos e que militantes "não se submetam aos que torcem pelo fracasso do governo e do partido". Segundo ela, os petistas precisam se "municiar de informações e argumentos que desmintam a informação de que o país está paralisado."
Em resposta aos grupos que afirmam que sua política é contraditória com seu programa de governo, ela disse que as medidas tomadas foram "fortes" e "conscientes" para que o governo "preserve os direitos dos mais pobres e daqueles que mais precisam do apoio do Estado." 

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Na lateral do auditório, um grupo de militantes estendeu uma faixa onde se lia "abaixo o plano Levy", em referência ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy.


DISPERSÃO
Dilma começou seu discurso perto das 23h, com o auditório cheio dos cerca de 520 delegados que compareceram à abertura do evento. A partir da metade de sua fala, de quase 50 minutos, a plateia ficou dispersa. Muitos começaram a ir embora. 


No discurso do presidente do PT, Rui Falcão, na abertura, quase não se ouvia a fala do dirigente. Petistas formavam rodas de conversas paralelas, tiravam selfies, conversavam alto, em um clima de dispersão raro em reuniões da sigla.

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O único discurso ouvido com mais atenção foi o do ex-presidente Lula, que disse que "há dez anos tentam matar o PT, mas o PT está vivo". Ele afirmou que o partido não pode decepcionar seus eleitores.
Mais uma vez Lula acusou a imprensa de atacar o partido. Ele listou demissões em empresas de comunicação e afirmou que esse é o setor que mais demite no Brasil. 


"Só este ano tiveram 50 demissões de jornalistas na Folha de S.Paulo, 120 demissões no 'Globo' [trecho inaudível]. A revista mais sórdida deste país teve que entregar metade de seu prédio e fechar 20 títulos de suas revistas", afirmou ele, referindo-se à "Veja" e à Editora Abril.


"Esses veículos falam tanto do nosso governo, não são capazes de administrar a própria crise sem jogar o peso nas costas dos trabalhadores. E acham que podem ensinar como se governa um país com mais de 200 milhões de habitantes", completou Lula. 

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Em sua fala, anterior à de Lula e à de Dilma, Rui Falcão havia expressado insatisfação com a política econômica do governo petista, mas evitou fazer críticas diretas ao ajuste fiscal.
Ele disse que uma política econômica "firme com os fracos" e "frouxa com os fortes" seria inaceitável para a sigla 


Apesar de insistir que o PT está "sob forte ataque" e que o partido está sendo "criminalizado", Falcão faz uma autocrítica ao dizer que o PT precisa "assumir responsabilidades e corrigir rumos".
Até sábado (13), 800 delegados petistas discutirão os novos rumos do partido durante o congresso.