Política

​Crise põe em xeque promessas de Dilma Rousseff

Da Redação ·
Datafolha: 65% dos brasileiros reprovam governo Dilma e 10% aprovam - Foto: Divulgação
Datafolha: 65% dos brasileiros reprovam governo Dilma e 10% aprovam - Foto: Divulgação

As crises política e econômica que atingem o Brasil ameaçam não só o desenvolvimento do país, como também o andamento das promessas de campanha da presidente Dilma Rousseff. O recente anúncio do bloqueio de R$ 69,9 bilhões em gastos no orçamento de 2015 – maior contingenciamento de recursos da história – coloca em xeque o andamento de alguns dos principais programas do governo federal.

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Entre as vitrines de Dilma durante a campanha de 2014, estavam, por exemplo, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), e o Minha Casa Minha Vida. Todos, porém, sofreram com o corte de recursos.

Segundo o professor da PUC-PR Denis Alcides Rezende, pós-doutor em Administração, é normal que o orçamento público seja superestimado em anos eleitorais, ainda mais quando a candidatura é de reeleição. “Mas, toda crise já é esperada pelos gestores. Então houve, no ano passado, um ajuste orçamentário para cima sem que houvesse previsão de fontes de receita para tal.”

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Segundo Rezende, 2015 já é considerado um “ano perdido” para o avanço de tais promessas. Para ele, a situação só deve ser revertida quando o orçamento público passar a ser observado mais sobre o viés de gestão do que político. Ele destaca ainda a importância de uma maior articulação da sociedade em torno das propostas orçamentárias para os próximos anos. “Não podemos esperar do governo uma solução, temos também que buscar alternativas.”

Com a crise prejudicando o andamento das promessas de campanha do novo mandato da presidente, o impacto político sobre a petista é considerável, como aponta o cientista político Doacir Quadros, do grupo Uninter. “O eleitor é cada vez mais pragmático na definição do voto. Ou seja, conforme os bônus oferecidos pela gestão do governante, tende a dar mais um voto de confiança, o que, sem o cumprimento de promessas, fica mais difícil”, observa.

A Gazeta do Povo destacou algumas das principais promessas de campanha da presidente que ficam comprometidas com a crise neste início do segundo mandato.

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Confira:

PAC

O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), uma das principais vitrines dos governos petistas, é um dos maiores impactados com o corte orçamentário. Com promessa de ampliação no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, o PAC acabou sofrendo um corte de R$ 25,7 bilhões em 2015, o que corresponde a 37% do total do ajuste fiscal. Com a redução, ao menos neste ano, deve haver mudança de cronograma em parte das obras.

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Em agosto do ano passado, com 30% das grandes obras do PAC 2 inacabadas, a presidente chegou a anunciar o estudo do PAC 3 – essa foi, inclusive, uma de suas promessas de campanha. A nova fase do programa, com foco nos modais ferroviário e hidroviário, ainda não foi lançada, mas tudo indica que os investimentos fiquem só para depois de 2016.

Além disso, também na área estrutural, outra promessa era construir ou ampliar nove metrôs, 14 VLTs e 180 BRTs e corredores de ônibus. Os investimentos realmente começaram, segundo o Ministério das Cidades, mas podem ficar comprometidos em 2015. O secretário municipal de Administração e Planejamento de Curitiba, Fábio Scatolin, garantiu, porém, que o projeto do metrô na capital paranaense não será atingido pelo corte.

Há ainda a proposta de ampliação do programa Luz para Todos, com meta de 137 mil ligações entre 2015 e 2018, beneficiando 206 mil famílias. Só para este ano, a previsão era de concessão do programa a 78 mil famílias, mas, até então, somente 4,8 mil receberam o benefício.

Economia

Ao menos nos primeiros meses do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, ela descumpriu uma das suas principais promessas de campanha eleitoral: o controle da inflação. No acumulado do ano, a inflação oficial, medida pelo IPCA, ficou em 4,56% em abril. A previsão do mercado financeiro é que ela fique em 8,2% em 2015, bem acima do teto da meta para o governo, de 6,5%. Segundo o Banco Central (BC), porém, já a partir de abril, a inflação mensal deve começar a recuar.

Informações da Gazeta do Povo - Confira matéria completa AQUI