Grupo de auditores tinha meta de arrecadação de propina, diz delator
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O grupo de auditores fiscais da Receita Estadual em Londrina, no norte do Paraná, denunciado na Operação Publicano, tinha meta de arrecadação de propina e fazia a cobrança e o repasse mensalmente, conforme revelou o auditor fiscal Luiz Antônio de Souza, em depoimento prestado em acordo de delação premiada.
O valor recebido no esquema de corrupção foi destinado para a campanha de reeleição do governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), ainda conforme o delator. O advogado de Souza, Eduardo Duarte Ferreira, disse que, segundo o cliente, R$ 2 milhões foram arrecadados a partir de fevereiro de 2014 para a campanha do tucano. O Ministério Público (MP-PR) confirmou o teor da delação do auditor e afirmou que, agora, os promotores vão aprofundar as investigações com base no depoimento.
Em um vídeo divulgado no Facebook, o governador se defendeu da denúncia dizendo que “pegaram um criminoso, réu confesso, preso por abuso de menores pra me acusar sem nenhuma prova”, disse o governador. Já o PSDB, partido de Richa, nega as acusações. Assista ao lado.
O advogado do delator conta que o então delegado da Receita definiu com o auditor Luiz Antônio de Souza a meta de R$ 1 milhão para a arrecadação na região. "Estes valores foram paulatinamente sendo enviados pra Curitiba, através da doação oficiosa de uma empresa, não oficial efetivamente. Esse valor foi amealhado e remetido pra Curitiba. O valor chegou a quase R$ 2 milhões”, detalha o advogado. Sobre o vídeo divulgado por Beto Richa, o advogado Eduardo Ferreira se manifestou por meio de nota oficial. "Quanto a conduta atribuída ao delator, merece destaque o fato de que o próprio governador Beto Richa foi quem nomeou o senhor Luiz Antônio de Souza como inspetor da delegacia da receita da receita estadual de Londrina. Outros sim, não compete ao senhor governador julgar quem quer que seja", diz um trecho da nota.
Cobrança mensal
Conforme o advogado do delator, a ordem era pressionar grandes devedores de impostos, e a propina era recolhida de várias formas, até com mensalidades. Ainda de acordo com o advogado, o dinheiro era entregue para Márcio de Albuquerque Lima, então delegado da Receita Estadual em Londrina e parceiro de Richa em corridas de carro. Lima é considerado pelo MP-PR como o chefe da quadrilha. “Eles obtiveram através de parcelamento de uma empresa. Pagava mês a mês e este dinheiro era entregue ao Márcio e enviado para Curitiba na campanha. O pedido do delegado [como o advogado se refere a Márcio de Albuquerque Lima] era pra arrecadação era do governador Beto Richa”, diz o advogado de Souza.