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'Tempos eram outros', dizem tucanos sobre voto contra regra da era FHC

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RANIER BRAGON
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Seguindo a linha de votar em bloco contra o ajuste fiscal de Dilma Rousseff, os tucanos aplicaram um simbólico 45 -o número da sigla- a zero, dentro da bancada, na votação de quarta que criou uma alternativa ao chamado fator previdenciário.
O que nenhum dos tucanos lembrou durante a votação é que a regra, que reduz o benefício pago para aqueles que decidem se aposentar mais cedo, foi criada em 1999, primeiro ano do segundo mandato do tucano Fernando Henrique Cardoso.
Nesta quinta-feira (14), os deputados do PSDB justificaram a união em bloco contra o fator com dois argumentos: 1) os tempos são outros e 2) era preciso aplicar uma derrota política a Dilma e ao PT, que na oposição sempre bombardearam a regra.
"As circunstâncias da época exigiam o fator. Transcorrido esse tempo, já é possível subtrair a regra. Esse é o componente técnico. Mas óbvio que há o político, o de colocar o governo Dilma em uma saia-justa", disse o deputado João Campos (PSDB-GO).
"Eles já estavam discutindo a alteração no fator, nós só aceleramos a decisão, provocamos a derrota política do governo", reforçou Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR).
Um dos deputados mais próximos ao presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, Marcus Pestana (PSDB-MG), diz que o fator previdenciário "já cumpriu o seu papel". Ele diz não ver contradição entre passado e presente.
"Consolidou-se na sociedade uma resistência ao fator. E o governo atual retardou a discussão sobre seu aperfeiçoamento."
Para o ex-líder da bancada Antonio Imbassahy (PSDB-BA), "lá atrás o país vivia uma transformação estrutural, em que a economia ainda não estava consolidada".
Ele afirma que depois de tantos anos no Congresso, o governo deveria saber que mais cedo ou mais tarde o tema viria a voto, e com clara chance de alteração.

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