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Teori manda PF tomar depoimento de presidente da Odebrecht na Lava Jato

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RUBENS VALENTE
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki acolheu pedido da Procuradoria Geral da República e determinou que a Polícia Federal tome o depoimento de Marcelo Odebrecht, diretor-presidente da principal empreiteira do país, na Operação Lava Jato.
A empresa tem receita declarada de R$ 96 bilhões em 2013 e 181 mil empregados.
Além de Odebrecht, Teori ordenou a tomada de depoimentos de mais seis pessoas, incluindo três empreiteiros já presos em fases anteriores da Operação Lava Jato e libertados há duas semanas: Ricardo Pessoa (UTC), José Aldemário Pinheiro Filho (OAS, conhecido por Léo Pinheiro) e João Ricardo Auler (Camargo Corrêa).
O objetivo dos investigadores é averiguar declarações da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) em depoimento à PF prestado em abril. Ela disse ter procurado os empreiteiros em 2010 para pedir recursos à sua campanha ao Senado naquele ano.
O inquérito sobre a senadora tem por base principal as afirmações feitas por dois delatores da Lava Jato: o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.
Youssef disse que, por orientação de Costa, entregou pessoalmente R$ 1 milhão a "um senhor em um shopping de Curitiba", dinheiro a ser usado na campanha da petista. O doleiro reconheceu o homem como sendo Ernesto Kugler Rodrigues.
A PF apurou que o irmão de Rodrigues, Mário, foi secretário parlamentar do ex-deputado estadual no Paraná Angelo Vanhoni (PT) e presidente do diretório municipal do PT de Paranaguá na época em que Gleisi era a presidente estadual da sigla. Há o registro de uma doação de R$ 15 mil de Ernesto para a campanha de Vanhoni em 2006.
Já Costa declarou que o pedido para a campanha de Gleisi partiu de Youssef. Indagado sobre uma anotação de R$ 1 milhão ao lado das iniciais "PB" achada com ele pela PF, Costa contou que significava "Paulo Bernardo", marido de Gleisi e ex-ministro das Comunicações, que o valor seria destinado à campanha dela e que copiou a inscrição de uma planilha em poder do doleiro.
O doleiro disse ter ouvido de Costa de que o pedido original partiu de Paulo Bernardo; o ex-diretor da Petrobras nega.
PEDIDOS
Em depoimento, Gleisi negou irregularidades na campanha e disse que não fez pedidos à dupla Youssef-Costa.
Ela declarou que obteve doação da Odebrecht após contato com Marcelo Odebrecht, que teria autorizado a doação. Afirmou que também pediu recursos à UTC diretamente a Ricardo Pessoa, "a quem conhecia dos tempos em que trabalhou no Mato Grosso do Sul", diz o depoimento.
Gleisi integrou o governo de Zeca do PT (MS). Disse ainda que conhece Léo Pinheiro e que recebeu valores pedidos a ele para a campanha de 2010.
Segundo os dados entregues pela campanha à Justiça Eleitoral, Gleisi arrecadou R$ 7,9 milhões em doações naquele ano. Do total, R$ 2 milhões vieram de Camargo Corrêa, OAS e UTC. Outros R$ 1,9 milhão foram repassados pelo diretório nacional do PT, que obteve novas doações de empreiteiras, incluindo a Odebrecht.
Além dos empreiteiros, Teori Zavascki determinou que seja ouvido o tesoureiro de campanha da senadora, Ronaldo Baltazar. Também será ouvido Rafael Angulo, um entregador de valores a serviço de Youssef.
DOAÇÕES LEGAIS
Em nota, a Odebrecht afirmou que as empresas do grupo fazem doações para campanhas e partidos respeitando a legislação, com registro em cartório eleitoral. "A Organização Odebrecht reafirma que todos os seus integrantes, inclusive o seu diretor-presidente, estão à disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos que considerem necessários", afirmou.
A empresa não comentou o suposto contato entre Gleisi e Marcelo Odebrecht.
Em seu depoimento, Rodrigues disse conhecer Paulo Bernardo "há mais de dez anos" e que o apresentou a amigos empresários durante campanhas anteriores. Ele negou que tenha arrecadado recursos para a senadora e disse conhecer Youssef apenas pelo que leu na imprensa, nunca tendo se encontrado com ele.
Também em depoimento, Paulo Bernardo negou ter participação na arrecadação para a campanha de sua mulher em 2010. Disse que conheceu Costa em 1999, mas não lhe pediu dinheiro para a campanha.
Bernardo disse ainda que Rodrigues "já atuou na mobilização do empresariado para participar de reuniões no período eleitoral voltadas a apresentação de projetos de candidato, bem como com fins arrecadatórios à campanha", mas negou que ele arrecadasse recursos para a campanha de Gleisi em 2010.

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