OAB-PR nega pedido de Francischini para intervir em manifestação de rua
A Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná (OAB-PR) rejeitou um pedido do secretário de Segurança Pública, Fernando Francischini, que requisitava ajuda para conter uma manifestação no Centro Cívico de Curitiba, nesta terça-feira (5).
Em ofício, a OAB-PR disse a Francischini que o poder de polícia é “indelegável”. Nesta terça, cerca de 10 mil pessoas participaram de uma manifestação para protestar contra o confronto entre professores e a Polícia Militar (PM), que terminou com mais de 200 feridos na última quarta-feira (29). De lá, os professores seguiram para uma assembleia da categoria, que decidiu pela continuidade da greve. Não houve incidentes em todo o percurso.
No pedido enviado à OAB, porém, Francischini escreveu que gostaria de levar a conhecimento da instituição que havia uma “convocação efetivada pelo grupo que intitula-se como ‘Black Block Curitiba’, para manifestação a ser realizada nesta data no bairro Centro Cívico”. “Neste contexto, a partir das prerrogativas desta respeitável instituição, especialmente aquelas já expressadas em relação à manifestação dos professores que segue desde o dia 27 do corrente mês, solicitamos a intervenção junto ao referido grupo, a fim de evitar que haja depredação do patrimônio público, bem como o enfrentamento destes com os policiais militares destacados para manter a ordem e a incolumidade dos bens públicos”, diz trecho do ofício de Francischini.
Na negativa ao pedido, a OAB-PR ressaltou que é contra qualquer manifestação que impeça o exercício regular dos Poderes, especialmente ações de depredação ao patrimônio público. “Mas o poder de polícia é indelegável e deve ser exercido pelo Estado com inteligência e sem abusos, motivo pelo qual deixaremos de atender o pedido de intervenção solicitado”, diz a resposta da instituição.
O G1 procurou a Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária (Sesp), comandada por Francischini, mas foi informado de que o secretário não irá se pronunciar sobre o assunto.
"Black Blocks"
Segundo o governo do Paraná, o conflito entre professores e policiais no dia 29 de março teve início com a ação de "black blocks". Na ocasião, apresentou vídeos que mostram a ação de pessoas que, segundo o governo, seriam black blocs – conhecidos por usarem máscaras e se infiltrarem em manifestações populares para promover o vandalismo.
As imagens divulgadas pelo governo mostram que a confusão começou com a derrubada de uma grade que cercava a Assembleia Legislativa. No material também aparecem pessoas pegando pedras da calçada para o confronto com a polícia.
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