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HSBC pode informar CPI de brasileiros que tentaram abrir conta na Suíça

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O HSBC Brasil pode entregar à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do SwissLeaks no Senado informações sobre brasileiros que solicitaram abertura de conta na Suíça.
O presidente do HSBC Brasil, André Brandão, afirmou nesta terça-feira (5) à CPI que a instituição tem um controle sobre brasileiros que queriam abrir conta naquele país e que foram indicados pela unidade brasileira ao private banking suíço.
O private bank da Suíça teve escritório de representação no Brasil entre 2002 e 2007 e tinha como função principal a prospecção de clientes no país.
A partir daquele ano, o HSBC Brasil assumiu a função de escritório que representa a Suíça no Brasil e que presta o serviço de indicação.
"Caso o cliente no Brasil deseje abrir conta da Suíça, o representante no Brasil fará uma indicação. A partir da indicação, um gerente da Suíça entra em contato com o cliente no Brasil para dar tratamento à abertura da conta", afirmou Brandão.
"O HSBC [Brasil] tem o controle de quem foi indicado, mas não tem a informação se essas indicações se converteram em abertura de conta. Caso a CPI requeira, poderíamos enviar essa informação", disse o executivo.
Brandão disse ainda que o SwissLeaks é um caso antigo, de quase dez anos (os dados se referem ao período 2006-2007), relacionado ao furto de dados do private bank da Suíça. Segundo ele, o HSBC Brasil não tem acesso aos dados ou à base de clientes de outros bancos pertencentes ao grupo, portanto não pode confirmar a veracidade dos dados publicados pela imprensa.
O executivo disse ainda que a instituição adotou padrões mais rigorosos no combate ao crime financeiro. No Brasil, por exemplo, foram fechadas 4,5 milhões de contas inativas a partir de 2012, de uma base de 14 milhões. Esse tipo de conta é considerada mais vulnerável a fraudes.
Também foram e continuam sendo encerradas contas de clientes considerados de alto risco ou que não prestam informações suficientes sobre comprovação de renda. O banco também fechou agências localizadas em regiões no Brasil consideradas de alto risco, o que ocorre em fronteiras, por exemplo.
Sobre as notícias de venda da unidade brasileira, Brandão afirmou que não iria comentar rumores.
A Receita Federal informou nesta segunda-feira (4) que recebeu das autoridades francesas informações sobre contribuintes brasileiros com conta no HSBC da Suíça. O órgão já identificou 7.243 pessoas que eram correntistas do banco entre 2006 e 2007.
A partir de agora, a Receita vai aprofundar as investigações e verificar a existência de crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro.
Ter dinheiro no exterior não é ilegal, desde que cumpridas as seguintes regras: declaração à Receita em caso de saldo superior a R$ 140 e ao Banco Central quando ultrapassar US$ 100 mil.
A CPI aprovou também nesta terça convite para que Emilson Alonso, presidente do HSBC Brasil entre 2003 e 2008, seja ouvido sobre o caso. O vice-presidente da comissão, senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), afirmou que vai solicitar ao banco a lista dos funcionários do escritório de representação que funcionou no Brasil até 2007. Disse esperar também que, em duas semanas, a CPI tenha acesso ao dados que já estão sendo analisados pela Receita.

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