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Juiz Moro impede doleiro de 'opinar' sobre Planalto

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GRACILIANO ROCHA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O juiz federal Sergio Moro cortou o doleiro Alberto Youssef quando ele mencionou o Palácio do Planalto como o "último beneficiário" do esquema de corrupção da Petrobras.
No final do depoimento, quando respondia a perguntas de seu advogado, o principal operador do petrolão disse que a nomeação de diretores da Petrobras era determinada "acima".
"Os beneficiários eram os parlamentares, os diretores da Petrobras, eu também fui beneficiado com o comissionamento que fazia parte do meu trabalho. Quem nomeava diretor da Petrobras era acima. Era o palácio. Se você perguntar no meu entendimento", disse Youssef
"Daí não é para o sr. emitir opinião a não ser que tenha conhecimento de fato", interrompeu o juiz Moro.
"Conhecimento de fato eu não tenho. Estou falando a minha opinião", respondeu o doleiro.
Youssef disse que o Partido Progressista obteve a nomeação do diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, após trancar a pauta da Câmara dos Deputados por três meses em 2004.
Costa -um dos principais delatores da Lava Jato, ao lado de Youssef- deixou o cargo em 2012 após perder o apoio da base do PP na Câmara, em 2012, disse o doleiro.
No depoimento, Youssef voltou a citar os nomes de políticos de fora do PP que, segundo ele, também receberam recursos a mando de Paulo Roberto Costa. Segundo ele, os senadores Valdir Raupp (PMDB-RO) e Gleise Hoffmann (PT-PR) foram beneficiados com dinheiro do esquema. O peemedebista e a petista são investigados em inquéritos que correm no Supremo Tribunal Federal.
O doleiro também desqualificou o argumento de que empreiteiros seriam vítimas de extorsão de funcionários corruptos da Petrobras, e não integrantes de um cartel que ganhava contratos com o pagamento de suborno a políticos e dirigentes da estatal.
"Era uma situação combinada entre empreiteiros, políticos e o diretor da companhia. Mas se parasse de pagar [propina], não teria andamento bom no contrato. Trabalhar com a Petrobras já é difícil com esse tipo de 'assessoria', mas sem é mais difícil ainda", disse.

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