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Maggi diz que foi enganado pelo governo Dilma e que Fazenda dá calote

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JULIA BORBA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O senador e empresário Blairo Maggi (PR-MT) criticou nesta quarta-feira (28) o arrocho fiscal do governo federal e disse que o Ministério da Fazenda está dando "calote" para fazer superavit (a economia para pagar os juros da dívida pública) com a suspensão de pagamento de obras, levando à paralisação de investimentos.
"Politicamente tenho muitos colegas que não apoiaram a presidente Dilma. Eu apoiei. Pedi voto. Fiz [isso] em nome dos meus projetos e, assim como muita gente se sente enganada, eu me sinto enganado. Eu fui derrotado", afirmou.
"Eu vejo que eu estava errado e os que estavam contra mim estavam certos."
O comentário foi feito durante audiência pública na Comissão de Infraestrutura do Senado, que recebe o ministro dos Transportes, Antônio Carlos Rodrigues. Pouco antes do senador pedir a palavra, Rodrigues havia informado que não sabe ainda qual a situação de caixa de seu ministério e que várias obras tocadas pela pasta no país irão parar.
Rodrigues afirmou que não tem previsão de quanto o ministério poderá investir neste ano, o que atrapalha o desenvolvimento dos projetos de infraestrutura -ele chegou a brincar que era preciso sensibilizar o ministro Joaquim Levy (Fazenda).
"Vou receber várias reclamações dos senhores de 'parou a obra tal', e vai parar sim. Assusta receber um telefonema dizendo 'ou você paga hoje ou eu paro a obra', e eu não tenho [dinheiro para pagar]", afirmou o ministro.
Depois do desabafo, os senadores riram e perguntaram se, então, seria o caso de encerrar a audiência, já que não seria possível fazer nenhuma nova pergunta.
O ministro destacou que o envolvimento de empreiteiras em escândalos de corrupção -como o apurado pela Operação Lava Jato, em que as maiores empreiteiras do país são investigadas por pagarem propina em contratos da Petrobras-, também ajudaram a travar o setor, já muitas obras foram paralisadas.
Após a fala de Rodrigues, Maggi afirmou que alguns pontos defendidos por Levy para fazer estão certos, mas ele "erra na mão quando quer fazer o ajuste fiscal".
"Não pagar os fornecedores que fizeram serviços para trás só tem um nome: é calote. O governo pediu, processou e na hora de pagar o ministro da Fazenda não paga porque está fazendo superavit?", questionou.
AJUSTE
Dentre as medidas adotadas pelo governo para fazer frente à crise econômica estão alterações na Previdência e no seguro-desemprego.
O governo vai manter o aperto nas contas públicas até o fim do mandato da presidente Dilma Rousseff. A meta de economia para o pagamento de juros foi fixada em 2% para 2016, 2017 e 2018.
A meta de superavit primário deste ano é equivalente a 1,2% do PIB, mas seu cumprimento é questionado pelo mercado, que aposta em um saldo menor.

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