Governo do Maranhão cria grupo para investigar morte de líder indígena
CRISTINA CAMARGO
SÃO PAULO, SP - A Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão, por meio da Delegacia Geral, criou um grupo especial para apurar a morte do agente indígena de saneamento Eusébio Ka´apor, 42, da aldeia Xiborendá, da Terra Indígena Turiaçu.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública, Eusébio foi assassinado na madrugada de segunda-feira (27) e o corpo foi encontrado enterrado, com perfuração de arma de fogo, no povoado Buraco do Tatu, no município de Santa Luzia do Paruá (a 395 km de São Luís).
A comissão será formada por delegados e investigadores.
Segundo informações do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), Eusébio foi morto com um tiro nas costas quando voltava da aldeia Jumu´e Ha Renda Keruhu, onde visitara o filho. Ele estava na garupa de uma motocicleta conduzida pelo indígena identificado pelas iniciais K.K.
Em nota, o Cimi informa que os dois indígenas foram abordados por dois homens encapuzados. Eles teriam tentado parar a moto e, em seguida, atiraram nas costas de Eusébio.
Segundo a versão do conselho, baseada no depoimento de K.K., Eusébio chegou a ser socorrido, mas morreu por volta de 20h30 de domingo (26), quando era levado para um hospital.
O agente de saneamento era uma das lideranças locais no combate à exploração ilegal de madeira na Terra Indígena.
Ainda de acordo com o Cimi, indígenas da região estão se reunindo na aldeia Xiborendá para exigir providências da polícia e da Funai (Fundação Nacional do Índio).
Segundo o Greenpeace, desde 2008 os Ka´apor alertam as autoridades sobre ameaças que seriam feitas por madeireiros e pedem providências contra a extração ilegal de madeira e o desmatamento.
Desde 2013, os indígenas realizam por conta própria ações de monitoramento e proteção territorial e ambiental da área e o conflito com os madeireiros ficou mais intenso.
