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Cunha demite chefe da área de informática da Câmara

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Após a Folha de S.Paulo publicar nesta terça-feira (28) que o nome "dep. Eduardo Cunha" aparece nos registros oficiais como "autor" dos arquivos em que foram redigidos dois requerimentos sob suspeita, o presidente da Câmara demitiu o chefe do setor de informática da Casa.
A justificativa oficial apresentada pela presidência da Câmara é a de que Cunha tomou a decisão porque funcionários do Cenin (Centro de Informática) não estavam cumprindo a carga horária mínima de oito horas de trabalho.
Nos bastidores, porém, a informação é a de que a demissão se deu devido ao caso dos requerimentos. Funcionário de carreira, o diretor exonerado, Luiz Antonio Souza de Eira, não quis dar entrevista e disse à Folha de S.Paulo que só os órgãos competentes da Câmara se pronunciariam sobre o assunto.
Eira foi secretário-executivo do Ministério da Integração Nacional até 2009, quando deixou a pasta após se desentender com a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.
A Folha de S.Paulo revelou nesta terça-feira que o nome de Cunha -que é investigado pelo Supremo Tribunal Federal sob a acusação de envolvimento no esquema de desvio de recursos da Petrobras- aparece vinculado a requerimentos sob suspeita e sobre os quais ele sempre havia negado relação.
Um dos pontos elencados pelo Ministério Público contra o deputado é o depoimento do doleiro Alberto Youssef, que firmou acordo de delação premiada na Operação Lava Jato.
Em suas declarações aos investigadores, o doleiro diz que, como forma de pressão, Cunha chegou a apresentar requerimentos na Câmara para investigar uma fornecedora da estatal que teria interrompido o pagamento de propinas, a Mitsui.
À CPI, o presidente da Câmara fez comentários sobre dois requerimentos feitos em julho de 2011 por uma ex-deputada do PMDB do Rio, Solange Almeida -e noticiados pelo jornal "O Globo".
Os dois requerimentos pediam informações ao Tribunal de Contas da União e ao Ministério de Minas e Energia sobre contratos da Mitsui e a Petrobras. Segundo Youssef, o objetivo era forçar a fornecedora a retomar o pagamento de propinas.
Cunha sempre negou qualquer relação com os dois requerimentos. Solange, hoje prefeita de Rio Bonito (RJ), também isentou o deputado em depoimento à Polícia Federal.
Apesar disso, a Folha de S.Paulo detectou no sistema oficial da Câmara que o nome do hoje presidente da Casa aparece como "autor" dos dois arquivos em que foram produzidos os requerimentos assinados por Solange.
O presidente da Câmara afirma que isso pode ter ocorrido porque ele oferecia o seu gabinete de apoio a colegas do Rio, principalmente suplentes com pouca experiência legislativa.
Ele ressalta, todavia, que apesar da probabilidade de os textos terem sido produzidos em seu gabinete, eles foram autenticados -espécie de certificação digital necessária para o documento dar entrada no sistema da Câmara- pelo gabinete e por funcionário da ex-deputada. Nesta terça, foram distribuídos certidões da área técnica da Câmara atestando esse fato.
Na sessão da CPI da Petrobras desta terça, o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) pediu prioridade na aprovação de um requerimento de sua autoria para convocação da ex-deputada Solange Almeida. "Na matéria [da Folha de S.Paulo], o presidente admite inclusive que o requerimento foi feito no gabinete dele. Só não foi autenticado no gabinete dele", afirmou Ivan Valente.
O PSOL também tentará levar Cunha a depor novamente à CPI, embora não tenha força política para isso. "Tudo exige esclarecimentos, sem corporativismo parlamentar. E a Polícia Federal e o Ministério Público, desavenças à parte, que investigam o caso, precisam considerar esses novos dados, relevantes", afirmou o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ).

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