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Em nova crítica, Renan diz que Dilma transfere ajuste para trabalhadores

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GABRIELA GUERREIRO
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Em mais uma crítica à presidente Dilma Rousseff, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse nesta terça-feira (28) que a petista vai continuar sem condições de realizar pronunciamentos em cadeira de rádio e TV nas comemorações do 1º de Maio se o governo insistir em um ajuste fiscal que "penaliza" os trabalhadores.
Renan afirmou que Dilma, ao promover um "ajuste trabalhista", perde a capacidade de negociar com a classe trabalhadora.
"Esse ajuste não é um ajuste fiscal, o ajuste fiscal tem que cortar no Estado, tem que fazer a reforma do Estado. Esse é um ajuste trabalhista. E como ajuste trabalhista, a presidente está tendo dificuldades de falar no 1º de Maio porque a conta não pode ir para o trabalhador", afirmou.
Renan também criticou o projeto de regulamentação da terceirização, em tramitação no Congresso, que segundo ele tem o aval da presidente. O peemedebista disse que a proposta é mais um motivo que tira de Dilma condições para falar aos trabalhadores.
"Não podemos permitir que a terceirização da atividade-fim se faça sem limite. Isso é um retrocesso, o Brasil não pode pagar esse preço. E a presidente não pode fazer isso. Se a presidente continuar fazendo isso, ela vai continuar não tendo condições de falar no 1º de Maio. E nós precisamos dar um resposta ao povo brasileiro."
Dilma optou por não fazer o tradicional pronunciamento do 1º de Maio em cadeia nacional de rádio e TV temendo um novo panelaço em reação à sua fala. É a primeira vez que isso ocorre em seus dois mandatos. A petista decidiu falar à população por meio da internet.
A Folha de S.Paulo antecipou que auxiliares da presidente aconselharam a ela que não fosse à TV enquanto a crise política e econômica não arrefecesse -o que, para eles, não acontecerá no curto prazo.
Aliado da presidente, Renan vem fazendo sucessivas críticas à gestão de Dilma e às medidas de ajuste fiscal encaminhadas pelo governo ao Congresso. Até os partidos que compõem o governo Dilma ameaçam votar contra medidas de ajuste, especialmente as que mudam regras de direitos trabalhistas, como o seguro-desemprego e auxílio doença.
TERCEIRIZAÇÃO
O projeto que regulamenta a terceirização, aprovado pela Câmara na semana passada, será analisado agora pelos senadores. Renan defende mudanças drásticas na proposta, como retirar do texto a terceirização das atividades-fins das empresas. O peemedebista defende a aplicação de um percentual para definir qual seria o limite de trabalhadores terceirizados nesse tipo de atividade.
"O importante é regulamentar a terceirização, aplicar a segurança jurídica, tirar esses trabalhadores e empresários da zona cinzenta. Mas não pode regulamentar a atividade-fim porque isso precariza as relações de trabalho e significa um novo modelo de desenvolvimento", afirmou Renan.
O peemedebista está disposto a segurar a tramitação da proposta, que deve passar por pelo menos três comissões antes de seguir para análise do plenário. Mas vem mantendo conversas com sindicatos e empresários para discutir o texto.

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