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​Fernando Bezerra Coelho quer cancelar depoimento na Lava Jato

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A defesa do senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) apresentou pedido nesta segunda-feira (27) ao Supremo Tribunal Federal (STF) para cancelar seu depoimento no curso das investigações da Operação Lava Jato. O interrogatório está marcado pela Polícia Federal para o próximo dia 5 de maio, mas a defesa alega que o órgão "inverteu a ordem" das diligências previamente definidas pela Procuradoria Geral da República, que tem o comando dos inquéritos junto ao STF. As informações são do G1.

Fernando Bezerra Coelho responde à investigação por suposto envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras. A acusação partiu do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa em sua delação premiada. Em depoimento dado em agosto do ano passado, Costa relatou que, em 2010, Bezerra Coelho pediu R$ 20 milhões para a campanha à reeleição do então governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB), morto em 2014 . Na época, Bezerra Coelho era secretário de Desenvolvimento da administração de Campos. Ele nega as suspeitas.

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No pedido feito ao STF, as advogadas do senador apontam supostas contradições entre a versão de Paulo Roberto e a de Alberto Youssef sobre o esquema de pagamento de propinas em obras da Refinaria Abreu e Lima, de onde teria saído o dinhero dado a Bezerra Coelho.

A peça mostra trechos de cada depoimento. No primeiro, Paulo Roberto relata que o esquema envolveria consórcio formado pelas empreiteiras Iesa e Queiroz Galvão. No segundo trecho destacado, Youssef aponta pagamento de propina a partir de contrato firmado por consórcio composto pelas construtoras OAS e Odebrecht.

Para a defesa de Bezerra Coelho, a diferença nas versões exigiria que a PF ouvisse primeiro os dois delatores para esclarecer os fatos e, só depois, o senador, de modo que ele pudesse se defender adequadamente.

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"Tem-se tolhida a oportunidade de apresentação da versão dos fatos do investigado, como quer a PGR, uma vez que a Polícia Federal marcou sua oitiva antes mesmo da oitiva dos réus colaboradores. Se os únicos indícios aptos a ensejar a instauração do presente Inquérito são as declarações dos delatores, o esclarecimento quanto à absoluta incompatibilidade de seus depoimentos é medida que se impõe", diz o pedido.

As advogadas ressaltaram que, no pedido de abertura de inquérito contra o senador, apresentado no início de março ao STF, a PGR requeria oitivas com Paulo Roberto, Youssef e Bezerra Coelho "nessa ordem", isto é, ouvindo primeiro os delatores.

O pedido de cancelamento do depoimento ocorre depois que vieram à tona divergências entre a PF e a PGR na condução dos inquéritos. A disputa por protagonismo nas investigações levou o STF a cancelar depoimentos que haviam sido marcados nas duas últimas semanas, atendendo a pedido da PGR, que reivindicou para si o comando das diligências.

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