Sou acusado por uma conversa que não aconteceu, diz Pezão sobre Lava Jato
MÁRCIO FALCÃO
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O governador Luiz Fernando Pezão (Rio de Janeiro) afirmou nesta quinta-feira (23) que está "tranquilo" e que é acusado de participação no esquema de corrupção da Petrobras por causa de "uma conversa que não aconteceu".
O peemedebista é alvo de inquérito no STJ (Superior Tribunal de Justiça), que apura sua ligação com o esquema de desvio de recurso público e pagamento de propina.
O Ministério Público Federal solicitou, em março, abertura de inquérito sobre Pezão e Tião Viana, governador do Acre. Os dois se manifestaram junto ao STJ no final do mês passado. Eles desmentem as acusações do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e pedem o arquivamento dos inquéritos.
Em depoimento, Paulo Roberto Costa disse que trabalhou para o "caixa dois" da campanha do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) ao governo do Rio em 2010, articulando uma doação de R$ 30 milhões. Pezão era candidato a vice na chapa.
Pezão sustenta que nunca participou de reunião em que Cabral tenha pedido qualquer ajuda de campanha e que a acusação não faz sentido, já que, em 2010, ele e Cabral brigavam com a Petrobras pela ameaça de mudança no modelo de partilha dos royalties do petróleo, o que prejudicaria o Estado.
"Sou acusado de ouvir uma conversa que não aconteceu. Foi isso que expliquei na minha na carta que eu mandei [ao STJ]", afirmou o governador.
Ele reconhece que teve encontros com Paulo Roberto, mas sustenta que foram contatos institucionais sobre obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro.
"Muitas, muitas [reuniões]. Mas não só eu, com todo o governo junto. Foram seis, oito secretários sobre a licença ambiental do Comperj, sobre investimentos que precisavam na infraestrutura, uma série de obras, uma série de reuniões que participavam vários secretários. Todas as nossas reuniões foram públicas", disse.
Pezão negou que tenha negociado doações com Paulo Roberto. "Reunião para pedir ajuda de campanha nunca tive. Eu era vice e não assisti ao governador fazer esse pedido", afirmou.
O governador disse que não teve encontros com o ministro do STJ, Felipe Salomão, relator do caso.
Nesta semana, a da vice-procuradora-geral da República, Ela Wiecko, que coordena as apurações envolvendo os governadores, disse que a previsão é de que as investigações durem até seis meses. Nos próximos dias, o Ministério Público pedirá novas diligências no caso.
A vice-procuradora-geral avalia se ainda pedirá depoimentos presencias dos governadores, uma vez que eles apresentaram defesa escrita.
