Para Dilma, 'terceiro turno' é reação de quem não está no poder
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Enfrentando problemas com sua base política desde que assumiu o segundo mandato, a presidente Dilma Rousseff afirmou nesta terça-feira (14) que o país saiu da eleição do ano passado "com muita gente no terceiro turno" --ou seja, inconformada com sua vitória. A presidente avalia, no entanto, que o cenário deve melhorar em breve.
Em entrevista a seis blogueiros identificados com o governo, Dilma afirmou que a crise política se intensificou devido à crise econômica e que o governo diminuirá o ritmo da política social e de infraestrutura.
Participaram do encontro Altamiro Borges, do Centro Barão de Itararé, Cynara Menezes, do Socialista Morena, Luis Nassif, do Jornal GGN, Maria Inês Nassif, da Carta Maior, Paulo Moreira Leite, do Brasil 247, e Renato Rovai, do Blog do Rovai e revista Fórum.
"Que tipo de crise política nós temos? Saímos da eleição com muita gente no terceiro turno", disse, de acordo com trecho publicado no site Jornal GGN. "Vamos fazer 13 anos de governo e quem não está [no poder] reage dessa forma", acrescentou.
De acordo com a publicação, Dilma também avaliou que "muito do que se considera crise ocorre sistematicamente no Congresso" e que a entrada do vice-presidente Michel Temer na articulação política irá reduzir as dificuldades.
ECONOMIA
A presidente também fez uma defesa longa e explicada sobre as medidas adotadas para o ajuste fiscal. "Não produziu efeitos de crises econômicas anteriores. Porque o Brasil mudou radicalmente", disse. "Hoje, temos um mercado de 44 milhões de pessoas que vão sentir as consequências de forma menos aguda", argumentou, segundo o Jornal GGN.
A presidente diz esperar que a recuperação econômica do país aconteça até o fim do ano. "Não estamos fazendo ajuste por ajuste. [Estamos] fazendo para crescer", disse.
Dilma voltou a explicar que o governo promoveu grandes desonerações (abatimento de tributos) no contexto de uma política anticíclica para combater a crise na economia --medidas que, disse, agora se esgotaram.
"Olhamos e vimos o seguinte: não cumpriríamos a meta, vocês lembram que a primeira medida que tomamos foi avisar o Congresso de que não conseguiríamos cumprir a meta, porque a queda de arrecadação não é compensada por nenhum mecanismo. Ela se deu nos últimos três meses do ano de forma pesada e a gente não tem como compensar", afirmou, em trecho publicado pela Revista Fórum.
Dilma explicou ainda que o governo alterou as taxas de juros mas não acabou com os subsídios de nenhuma das políticas.
"A gente tinha que reduzir os custos dos trabalhos e tentamos reduzir em impostos, basicamente nos setores industriais, que é onde a competição bate forte", afirmou, para explicar os abatimentos. "Acabou que a desoneração foi feita para alguns setores em que não estava prevista. Mas ela foi feita em um nível muito maior do que hoje somos capazes de suportar", acrescentou, segundo a Revista Fórum.
Dilma também defendeu o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que assumiu a negociação política em torno da aprovação do ajuste pelo Congresso.
