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Coutinho pede discussão técnica sobre divulgação de operações do BNDES

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, defendeu nesta terça-feira (14) que o Senado crie uma comissão para discutir as regras de divulgação de operações de financiamento a exportações.
Segundo ele, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro, já mostrou disposição de rever a forma como essas informações são tornadas públicas, mas, para Coutinho, o tema demanda uma análise técnica que poderia ser tocada pelos parlamentares.
Ele defendeu que seja feito um levantamento de como a questão é tratada pelas demais agências de financiamento à exportação no mundo.
O BNDES hoje não disponibiliza o detalhamento das operações de financiamento às empresas exportadoras -é informado o total por país, a relação de projetos contemplados e o total por exportador, informou Coutinho.
A oposição tem atuado para instalar no Congresso uma CPI que trate das operações do financiamento do BNDES. Um dos focos são as operações externas do banco, como o financiamento à construção do porto de Muriel, em Cuba, e o financiamento a exportações para Angola.
Outro foco são os financiamentos ao grupo JBS, que se tornou um dos principais financiadores de campanhas políticas.
Na última semana, a CPI só não foi criada no Senado porque o governo conseguiu convencer aliados a retirarem suas assinaturas para o requerimento.
Em uma derrota para o governo, no entanto, a Câmara aprovou emenda a uma Medida Provisória derrubando o sigilo às operações do BNDES. O texto ainda precisa passar pelo Senado e pode ser vetado pela presidente Dilma Rousseff.
Nesta terça, o presidente do BNDES afirmou que a instituição está impedida de revelar informações que quebrem o sigilo bancário das empresas envolvidas, sob pena de ser multado pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários.
"O BNDES não esconde ou deixa de dar publicidade a todas as suas operações", afirmou. Segundo ele, o sigilo bancário diz respeito a informações da "intimidade" da empresa, como sua capacidade de endividamento e estrutura do seu mercado.
Sobre a relação com a JBS, Coutinho afirmou que o banco tem hoje participação acionária de 24% na empresa, em operações que não contaram com subsídio do governo. "Foi dinheiro do giro da carteira da BNDESPar [subsidiária do BNDES]", afirmou.

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