Leia a última edição Siga no Whatsapp
--°C | Apucarana
Euro
--
Dólar
--

Política

publicidade
POLÍTICA

Justiça bloqueia R$ 163 milhões de empreiteira acusada na Lava Jato

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Telegram
Siga-nos Seguir no Google News
Grupos do WhatsApp

Receba notícias no seu Whatsapp Participe dos grupos do TNOnline

FLÁVIO FERREIRA, ENVIADO ESPECIAL
CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) - O juiz federal Sergio Moro determinou o bloqueio de um crédito de R$ 163 milhões que a construtora Queiroz Galvão, investigada na Operação Lava Jato, tem a receber do governo do Estado de Alagoas.
É a primeira vez que Moro determina o sequestro de valores de uma empreiteira acusada de participação no esquema de corrupção descoberto na Petrobras.
Anteriormente, o magistrado só havia autorizado o bloqueio de bens de executivos das companhias suspeitos de participação nos crimes ligados à estatal.
Meses atrás, o Ministério Público Federal já havia requerido os sequestros de ativos das empresas, mas Moro negou os pedidos.
Ao analisar os requerimentos anteriores da Procuradoria, o juiz afirmou que "considerando a magnitude dos crimes e o tempo pelo qual se estenderam, não há condições de bloquear de imediato 5% ou 10% do montante dos contratos celebrados com a Petrobras ou mesmo sobre estimado ganho ilícito da empresa, sob pena de imediatos problemas de liquidez e de possível quebra das empresas".
À época, ele argumentou que o bloqueio teria impacto significativos para terceiros, já que as maiores empreiteiras do país tinham diversas obras públicas espalhadas no território nacional. "Melhor focar, no presente momento, a recuperação dos ativos sobre os dirigentes responsáveis pelos crimes, sem prejuízo de futuras medidas contra as empresas", afirmou.
Porém, o Ministério Público Federal voltou pedir o bloqueio em março, desta vez relativo a um precatório no valor de R$ 163 milhões que a Queiroz Galvão tem a receber do governo de Alagoas.
O precatório não tem ligação com contratos da Petrobras e resultou de um decisão judicial da 17ª Vara Cível de Maceió (AL).
Sobre esse crédito específico, o juiz apontou em decisão desta segunda feira (6) que o quadro é diferente, porque os valores ainda não estão disponíveis à construtora e que o sequestro do montante não afetará a liquidez da empresa.
"Por outro lado, no processo criminal, o montante pago a título de propina a agentes públicos constitui produto do crime que deve ser recuperado. Respondem por esses valores tanto o agente público como o corruptor", completou.
DOCUMENTOS
Na decisão, Moro apontou que há documentos encontrados nas buscas da Lava Jato que indicam a participação da Queiroz Galvão no esquema de corrupção na Petrobras. O juiz mencionou quatro notas fiscais emitidas por empresas de fachada do doleiro Alberto Youssef para o Consórcio Ipojuca Interligações, integrado pela Queiroz Galvão e a companhia IESA, no valor total de R$ 1,3 milhão.
O magistrado citou também um contrato de consultoria assinado entre a Queiroz Galvão e a empresa do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, com data de março de 2013, no valor de R$ 600 mil, e respectivas notas fiscais.
De acordo com o juiz, "o próprio Paulo Roberto reconheceu que esses contratos destinavam-se a disfarçar o repasse a ele de propinas cujo pagamento havia ficado pendente e que os serviços não teriam, total ou parcialmente, sido prestados".
Moro também lembrou que Costa e Youssef já apontaram o envolvimento da Queiroz Galvão no esquema.
Na sétima fase da Lava Jato, deflagrada em novembro, foi decretada a prisão temporária (com duração de cinco dias) de dois executivos da Queiroz Galvão, Ildefonso Colares Filho e Othon Zanoide de Moraes Filho. Após o fim do prazo da detenção, eles foram liberados.
A Justiça Federal já abriu ações penais contra executivos de seis empreiteiras associadas ao esquema de corrupção na Petrobras, mas até agora o Ministério Público não propôs nenhuma ação contra a Queiroz Galvão e seus diretores.
A Polícia Federal afirma que as investigações sobre a atuação da construtora nos crimes investigados pela Operação Lava Jato ainda não foram concluídas.
A decisão de bloqueio do crédito de R$ 163 milhões da Queiroz Galvão tem caráter liminar. Cabe recurso ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região.
OUTRO LADO
Em nota, a Queiroz Galvão informou que não foi comunicada oficialmente sobre o bloqueio.
Segundo a empreiteira, "de fato, os precatórios junto ao Governo do Estado de Alagoas existem, são créditos absolutamente legítimos e reconhecidos pelos Tribunais Superiores".
A construtora reiterou que "sempre pautou suas atividades pela ética e pelo estrito cumprimento da legislação".

Gostou da matéria? Compartilhe!

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Email
Adicionar como fonte preferida no Google

Últimas em Política

publicidade

Mais lidas no TNOnline

publicidade

Últimas do TNOnline

TNOnline TV