Política

 “Dilmas” avaliam postura da presidente da República

Da Redação ·
Apesar das dificuldades, paraguaia Dilma Olguin prefere criar os filhos no Brasil
Apesar das dificuldades, paraguaia Dilma Olguin prefere criar os filhos no Brasil

Dilma. Um nome comum até Dilma Vana Rousseff (PT) vencer as eleições no dia 31 de outubro de 2010 para a presidência da República. Depois deste dia, as “Dilmas”, ditas comuns, viraram alvo de brincadeiras de familiares, vizinhos e colegas de trabalho. No atual cenário político, que a imagem da presidente atinge cerca de 60% de rejeição do público, a reação ao se apresentar como Dilma são as mais diversas.

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A apucaranense Dilma Navas Lopes, 54 anos, avalia que houve uma mudança nos últimos meses quando diz seu nome. “Algumas pessoas chegam a fazer careta. Sinto que há uma rejeição pelo meu nome”, afirma, observando que não leva a sério os comentários.

A dona de casa revela que, assim como ela, os outros nove irmãos também têm o “D” como primeira letra do nome. Ela, que votou na Dilma para a presidência, avalia como inaceitável a situação atual do País. “Não acompanho muito a política brasileira, mas estou decepcionada. Ela fez várias promessas e não cumpriu. Aliás, fez o contrário. É ridículo”, comenta.

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Brincadeiras - A zeladora Dilma Teodoro de Melo, 58 anos, de Apucarana, também é vítima de brincadeiras. “Desde que a Dilma foi eleita, as pessoas passaram a me chamar de presidente. Pedem para eu aumentar o salário e, agora, para diminuir o preço do combustível”, conta.

Ela, que também votou na atual presidente, argumenta que não acompanha os escândalos políticos de perto. “Votei porque ajudou muita gente a conseguir a casa própria”, diz, ao mesmo tempo que deixa claro que não concorda com a roubalheira mostrada pela mídia nacional.

Conhecida pela sua simpatia, a zeladora comenta que em comum com a presidente só o nome. “Sou muito brincalhona”, diz.

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Diferente de Dilma Melo, a araponguense Dilma Gomes da Silva Prado Araújo, 79 anos, se identifica com o perfil da presidente da República. “Eu também tenho um pouco do jeito dela de ser brava, mandona e séria. Eu queria ser mais alegre e mais amena na comunicação”, assinala.

A pensionista explica a origem do nome: “Na época do registro, o meu pai disse que era um nome comum no Rio Grande do Sul, onde ele morou antes de casar”. Ela, leitora assídua da revista Veja, entre outros meios de comunicação, deseja força para a presidente. “É um momento difícil que exige coragem, mas vai passar”, acredita.

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A paraguaia Dilma Beatriz Olguin, 34 anos, mora há 10 anos em Apucarana e acha graça sobre a popularidade do nome nos últimos tempos. “No Paraguai, é comum Vilma, não Dilma, mas é o meu nome e gosto dele”, garante.

Dona de uma pequena loja de ração, no Núcleo Habitacional Dom Romeu Alberti, Dilma comenta que é comum vizinhos e clientes tirarem sarro de alguma situação envolvendo a presidente, mas sem ofensas. “Só tiram uma ‘onda’ mesmo”, fala.

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Sobre os últimos protestos, corrupção e aumento de preços, ela, que não votou na última eleição, porém apoiava o governo da presidente, analisa que este mandato está mais difícil. “Fui a favor, mas estou mudando de opinião. É muita reclamação. Talvez, não seja culpa só dela, mas ela também não cumpriu o que prometeu. Se pudesse falar algo para ela, seria para que cumprisse com a palavra”, expõe.

Apesar do cenário atual, Dilma nem pensa em voltar para Ciudad del Este. “Aqui, apesar dos impostos, temos serviços públicos de graça, como Educação, Saúde e Segurança. Lá, se você ficar doente, tem que pagar para ser atendido. É muito triste”, diz.

Mesmo longe dos familiares, a microempreendedora prefere criar os três filhos Victor Daniel, 19, Jean Carlos, 8, e Jennifer Janine, 5, em Apucarana. “Têm mais oportunidades. No Paraguai, eu jamais conseguiria ter o meu próprio negócio ou o meu filho fazer uma faculdade”, acredita. 

Nome não é tão usado em famílias


Apesar de ser de fácil pronúncia e o nome da primeira presidente mulher, Dilma não caiu no gosto do público. De acordo com o Cartório de Registro Civil de Apucarana, que tem os registros digitalizados a partir de 1976, consta apenas três registros com o nome Dilma. Um em 1970, outro em 1974 e o último em 1980. Outros nomes podem surgir, porque o cartório está digitalizando os documentos deste a sua fundação em 1944.

Em Arapongas, a situação no Cartório de Registro Civil também não é muito diferente. São apenas três registros com o nome Dilma desde 1969.