Política

Veja o que Cunha disse no quebra-queixo na ALEP

Da Redação ·
Presidente da Câmara Federal conversou com jornalistas na Assembleia - Imagem:  blog do jornalista Fábio Campana
Presidente da Câmara Federal conversou com jornalistas na Assembleia - Imagem: blog do jornalista Fábio Campana

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, esteve pela manhã na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) e lançou a “Câmara Itinerante”, proposta para debater temas como a reforma política e o pacto federativo nos estados.

Veja o que ele disse no quebra-queixo com os jornalistas na Assembleia.

Qual a intenção de fazer esta proposta da Câmara Itinerante começando pelo Paraná?
Eduardo Cunha: Bom nós vamos fazer em todas as regiões do Brasil, do Sul ao Norte, alternadamente, de estado em estado. Começamos pelo Paraná pois é uma bancada grande, representativa no Congresso Nacional e o objeto é trazer a Câmara para o conhecimento da população local, ou seja, trazer os temas que são debatidos para que possam ser debatidos dentro dos estados para que a população tenha conhecimento e possa participar. Além disso, colher sugestões daquilo que eles entendem ser importante para o processo legislativo.

Como é que o senhor recebeu as acusações de “achacador” do ministro Cid Gomes?
EC - 
O ex-ministro Cid Gomes é um desqualificado, teve o destino que ele queria ter ao ser demitido, a Câmara está processando-o e eu não vou bater boca com quem se acha imputável. Ele se acha um indígena. Ali é um caso de processo judicial. E como fica a relação do governo com a base aliada após este caso?A base aliada continua com sua relação com o governo. Nós vivemos um momento de crise política que efetivamente acabará sendo superado na medida que o diálogo, a forma de fazer articulação política seja feita pelo governo buscando uma reaproximação com sua base. Isto estará ocorrendo. Então vamos dar um tempo para que o governo reorganize a sua articulação política e com isso retomar a agenda com o Poder Legislativo.

A reforma ministerial pode influenciar nisto?
EC - 
Eu sou presidente da Câmara, não partidário neste momento para falar sobre reforma ministerial. Isto cabe ao Poder Executivo que tem pode dizer o que vai fazer ou não com seu governo.

Ainda sobe a Câmara o PMDB sinalizou que o pacote anticorrupção não é prioridade, mas sim a diminuição de ministérios.
EC - Sem dúvida. O PMDB quer a diminuição dos gastos. Na verdade o governo deu urgência constitucional a dois projetos do próprio governo. Um de 2005, parado há 10 anos lá na Câmara. Outro de 2011, ou quatro anos parado. Então, se isto fosse realmente urgente e importante talvez tivesse sido dado urgência há 10 anos atrás, se isso pudesse ter evitado a corrupção que eles dizem que aconteceu, certamente poderíamos estar aqui não discutindo a CPI na Petrobras como o Parlamento está fazendo. Então, há de ser ver que não é só o projeto que o governo resolveu dar como urgência que é relevante. Há várias lá. O que temos que fazer é levá-las para votação na medida em que estejam prontas para votação. O PMDB vai continuar e vai votar e eu vou pautar as que tiverem que ser pautas. Mas o nosso principal foco é a redução de gastos e não adianta fazermos uma ajuste fiscal para a sociedade pagar a conta, e ela terá que pagar, mas o governo também tem que dar o exemplo cortando suas despesas para mostrar à sociedade que o sacrifício é de todos.

Presidente, por que o senhor pediu a retirada do seu nome das investigações da Operação Lava Jato?
EC - Simplesmente é um inquérito aberto que eu já contestei, fui à CPI espontaneamente, dentro da CPI eu mostrei os absurdos desta investigação. E mostrei que o Procurador-Geral da República (Rodrigo Janot) escolheu a quem investigar e eu dei um exemplo claro com a situação do senador Delcídio Amaral (PT), cujo pedido de investigação foi arquivado. Consequentemente meus advogados resolveram entrar com um agravo regimental contra a decisão de abertura de inquérito, mostrando todos esses absurdos. Isto não é uma coisa normal, o normal seria deixar o andamento, mas na minha situação, como chefe de poder, ter este constrangimento de investigação sem motivação, ele tem de ser contestado. Então, até para marcar posição nós fizemos um agravo regimental. E no meu caso não é analisado pela turma, mas sim pelo pleno. Então eu espero que o ministro relator, após ele entender, leve para o pleno e paute e o pleno aprecie para ver os absurdos que aconteceram.

Sobre a reforma política, o PMDB via discutir o financiamento público de campanha?
EC - 
A reforma política é um dos pontos que vamos discutir aqui na Câmara Itinerante. O PMDB tem a sua posição, que vai ser explicitada nas votações. A comissão da Reforma Política tem 40 sessões para acabar o se trabalho. Já estamos na 13º sessão. Quando acabar, se não tiver votado, eu vou avocar para o Plenário votar de qualquer maneira, com ou sem o parecer da Comissão, ou seja nós vamos votar. E o PMDB tem suas posições, se vai ou não vencer a votação é que vai dizer.

As sugestões de hoje serão bem vindas?
EC - Certamente. Daqui e de todos os estados. As sugestões são para isso. Muitas vezes as sugestões que estão sendo dadas aqui são sugestões que podem ser colocadas na apreciação do projeto. E vamos levar em consideração as sugestões de todo o país.

Como o senhor analisa as manifestações da bancada evangélica da Câmara em relação à novela das oito?
EC - Isto é algo para ser questionado?Veja bem, eu tenho que separar o meu papel de Presidente da Câmara, de deputado e do meu papel de PMDB. Eu estou no papel de Presidente da Câmara e qualquer manifestação minha significará apoiamento ou de certa forma uma recriminação. Eu não quero fazer uma coisa nem outra. Cada um tem o direito de exercer o seu mandato como melhor lhe convier. Para isto é Parlamento, as pessoas estão lá para parlar, para reclamar, debater, as coisas tem de ser debatidas. A bancada evangélica ou qualquer outra bancada vai debater o que melhor lhe for conveniente. Eu como presidente vou exercer com independência a posição de presidente.

Um dos principais jornais do Paraná trata de uma possível candidatura sua à Presidência em 2018.
EC - 
O meu candidato à Presidência é o Eduardo Paes. Trocaram o Eduardo, trocaram o sobrenome.

O senhor tem alguma meta para colocar em votação a reforma política?
EC - Como eu falei, nós temos 40 sessões para a comissão especial da emenda constitucional apreciar o parecer e votar. Nós já estamos na 13º sessão. Ao concluir a quadragésima sessão eu levarei avocando o Plenário com ou sem parecer da comissão.


Fonte: blog do jornalista Fábio Campana

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