Política

Depois de aumento, Richa abre mão do próprio salário e da equipe em janeiro

Da Redação ·
Foto: arquivo
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CURITIBA, PR - Depois de ver seu salário subir para R$ 33,7 mil --o teto do funcionalismo público--, o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), mandou suspender o pagamento da sua remuneração de janeiro, e estendeu a medida a todos os secretários do Estado. 

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Um decreto assinado pelo tucano, e publicado nesta quinta (29) em Diário Oficial, diz que a ação foi tomada "como reconhecimento e, em prol, das medidas de austeridade recentemente adotadas com vistas ao ajuste fiscal do Estado". 

A medida, porém, só vale para este mês. Em fevereiro, os subsídios voltam a ser depositados normalmente --e com os valores reajustados, de R$ 33,7 mil para o governador, R$ 32 mil para a vice-governadora e R$ 23,6 mil para os 20 secretários de Estado. 

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Os salários de janeiro ainda serão depositados, de acordo com o governo, assim que a situação econômica melhorar. 

O Paraná vem passando por uma crise financeira desde meados de 2013. Desde então, impostos aumentaram, obras foram suspensas e houve atrasos em pagamentos. No fim do ano passado, férias de servidores tiveram que parceladas. 

Richa, que já era governador na época, foi reeleito em primeiro turno no ano passado. 

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GATILHO 

O aumento salarial do governador foi gerado automaticamente após o reajuste dado aos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), no início do ano. Por lei, sua remuneração é a mesma que a de um ministro da corte. 

O tucano havia dito que não iria abrir mão do aumento, ao contrário do que fizeram outros governadores como Ricardo Coutinho (PSB), da Paraíba, e José Sartori (PMDB), do Rio Grande do Sul. A escolha repercutiu mal entre eleitores. 

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A assessoria do governador nega que o decreto seja uma reação a isso, e diz que "não foi Beto quem criou" a lei que estabelece o valor de sua remuneração (o documento é de 2002). 

A opção de cortar os salários de janeiro, de acordo com seus assessores, vinha sendo discutida anteriormente. O governo quer mostrar que irá "cortar na própria carne" para garantir o equilíbrio fiscal do Estado. 

No início do ano, Richa já havia anunciado um pacote de medidas para diminuir o gasto público, como a suspensão da contratação de novos servidores, a renegociação de todos os contratos do Estado e o estabelecimento de um teto de gastos para cada secretaria. 

Segundo o governo, novas medidas devem ser anunciadas na próxima semana.