Política

Empresário fez negócios com Youssef sabendo que se tratava de um doleiro

Da Redação ·
O sócio da Sanko-Sider Márcio Bonilho (D) conversa com advogado durante depoimento à CPI (Marcos Oliveira/Agência Senado)
O sócio da Sanko-Sider Márcio Bonilho (D) conversa com advogado durante depoimento à CPI (Marcos Oliveira/Agência Senado)

BRASÍLIA, DF - Sócio da empresa Sanko Sider, Márcio Bonilho admitiu nesta quinta-feira (27) à CPI mista da Petrobras que continuou fazendo negócios com Alberto Youssef mesmo após saber que se tratava de um doleiro. 

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Bonilho afirmou ter sido apresentado a Youssef como um empresário do ramo de turismo, mas com acesso ao alto escalão de grandes construtoras. 

Depois de firmar parcerias para Youssef intermediar contratos com as empreiteiras, Bonilho foi informado sobre o passado do doleiro. 

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"Leio revista de negócios, não leio jornais policiais. Não entrei no Google para checar nome. Passados alguns meses, um amigo me perguntou se eu sabia quem era Youssef", justificou. 

O empresário disse que, na ocasião, recebeu um vídeo de uma reportagem de um programa de televisão sobre o doleiro. 

"Não fiz negócio no parlatório da penitenciaria. Até achei que ele estava se recuperando. Tomei atitude, procurei advogado", concluiu. 

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Bonilho disse que os advogados o orientaram a se concentrar em fazer os pagamentos legalmente, registrando em notas fiscais. Com isso, não correria riscos de estar envolvido em irregularidades. 


COMISSÃO 

A Sanko foi contratada para fornecer tubos e dutos de grande porte a empreiteiras que formaram um cartel para atuar em licitações da Petrobras. 

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Bonilho contou ter firmado 12 negócios com Youssef, aproximadamente. A cada contrato fechado, segundo o empresário, a Sanko pagava uma comissão ao doleiro. 

Youssef recebeu R$ 37 milhões em intermediações envolvendo a fornecedora de tubulações. Bonilho afirma que todos os negócios foram legais, já que o serviço era prestado pelo parceiro. 

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O empresário reconhece, porém, que aceitou depositar os valores em contas das empresas de fachada do doleiro, como MO e GFD. 

Argumenta, porém, que não sabia que eram usadas para essa finalidade e apenas fazia os depósitos onde Youssef pedia. 

Bonilho admitiu que, em seu primeiro depoimento à Polícia Federal, dissera que as empresas de Youssef haviam prestado serviço à Sanko. 

Mais tarde, ao Ministério Público Federal, em Curitiba, contou que apenas recebia as notas fiscais, mas que os depósitos a MO e GFD eram referentes às comissões de Youssef. 

Também na sessão da CPI desta quinta, Bonilho admitiu que foi informado por Youssef que parte dos valores das tais comissões era repassada a executivos da Camargo Corrêa.