Família de Costa é incluída em delação premiada, diz advogada

A mulher, duas filhas e os genros do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa foram incluídos no acordo de delação premiada para passar informações ao Ministério Público Federal (MPF) sobre o suposto esquema de desvio de dinheiro da estatal, apontado pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Em caso de condenação, eles não devem ser presos.
A delação premiada segue o modelo da assinada por Paulo Roberto Costa. Todos terão que devolver valores obtidos de forma ilícita. Apenas Costa vai devolver, conforme acordado, mais de R$ 20 milhões de dólares depositados em uma conta na Suíça. Além disso, entregará, por exemplo, uma lancha e um terreno em Mangaratiba, no Rio de Janeiro - ambos avaliados em mais de R$ 1 milhão.
Procurado pelo G1, o Ministério Público Federal afirmou que não se manifesta sobre nenhum processo de delação premiada.
“O acordo do Paulo Roberto foi um acordo principal e dele vieram os acordos acessórios que protegeram, então, os familiares dele. Eles já tinham sido denunciados pela ida ao escritório para a retirada dos documento. Então, já existia uma ação penal contra a família em andamento”, explicou a advogada Beatriz Cattapreta, que representa Costa e a família. A jurista disse ainda que visando proteger a família, Costa não viu alternativa senão a colaboração.
Os familiares de Costa também são alvo de investigações e respondem por diversos crimes. Entre eles, formação de organização criminosa e obstrução das investigações. Eles foram flagrados retirando documentos do escritório do ex-diretor da Petrobras, em uma tentativa de destruir provas, conforme as investigações.
Operação Lava Jato
O ex-diretor é um dos acusados na operação Lava Jato, que foi deflagrada no dia 17 de março deste ano em vários estados brasileiros e no Distrito Federal. Desde então, ele esteve detido na carceragem da Polícia Federal em Curitiba. Costa chegou a ser libertado no dia 19 de maio, mas foi preso novamente no dia 11 de junho, a pedido de Ministério Público Federal. Ele saiu da cadeia apenas após a assinatura da delação premiada. Ele saiu de Curitiba na quarta-feira (1º), seguindo para o Rio de Janeiro, onde cumprirá prisão domiciliar.
De acordo com as investigações, o esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que teria movimentado cerca de R$ 10 bilhões. A Polícia Federal afirma que a organização criminosa era liderada pelo doleiro Alberto Youssef, que também está detido na carceragem da Polícia Federal em Curitiba.
Delação Premiada
É um acordo firmado com o Ministério Público e a Polícia Federal pelo qual o réu ou suspeito de cometer crimes se compromete a colaborar com as investigações e denunciar os integrantes da organização criminosa em troca de benefícios, como redução da pena. Essa colaboração está prevista na lei 12.805, de 5 de agosto de 2013.
