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Cerveró afirma que desconhece desvio de recursos na compra de Pasadena

Da Redação ·
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fonte: Foto: Wilson Dias/ Agência Brasil
Cerveró afirma que desconhece desvio de recursos na compra de Pasadena

BRASÍLIA, DF - Em depoimento realizado nesta quarta-feira (10) na CPI Mista da Petrobras, o ex-diretor da área internacional da estatal Nestor Cerveró afirmou que "desconhece qualquer tipo" de desvio de recursos na compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. "Eu desconheço qualquer tipo de [desvio de recursos]. Também [nunca ouviu falar]", afirmou.

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Para Cerveró, o cenário econômico atual é "altamente favorável" a refinaria nos próximos anos. Apesar do prejuízo milionário que a Petrobras teve na compra da refinaria, Cerveró voltou a defender a negociação. Segundo ele, o lucro líquido com Pasadena deve chegar a U$ 150 milhões no ano de 2014.

Em 2006, quando a estatal comprou a refinaria, o Conselho de Administração da estatal, à época presidida por Dilma Rousseff, autorizou o negócio de compra de 50% da refinaria de Pasadena, que pertencia à empresa belga Astra Oil.

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Somente neste ano a presidente Dilma criticou o resumo feito por Cerveró por omitir, na transação para compra de metade da refinaria de Pasadena, a existência das cláusulas "Put Option" (determinando em caso de discordância entre as duas partes que a Petrobras seria obrigada a comprar o restante das ações) e "Marlim" (dando à outra sócia uma garantia de rentabilidade mínima de 6,9% ao ano).

Após um processo na câmara internacional de arbitragem, a Petrobras comprou, obrigada por essas cláusulas, a metade restante de Pasadena. Diante do novo montante gasto, a compra de Pasadena acabou sendo um mau negócio e trouxe prejuízo para o Brasil de mais de U$ 700 milhões.

Na opinião de Dilma, Cerveró foi o responsável pelo parecer técnico "incompleto" que orientou o negócio.

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Como fez em depoimentos anteriores, Cerveró voltou a diminuir a importância das cláusulas. Na opinião dele, elas "não eram centrais".

O ex-diretor da área internacional da Petrobras também afirmou ainda, no depoimento desta quarta, que o TCU (Tribubal de Contas da União) cometeu um "equívoco" a análise dos prejuízos na compra da refinaria. Segundo ele, a corte de controle utilizou o cenário errado de um parecer da consultoria Muce & Stancial ao analisar os dados de compra. "Eu não concordo com nenhum desses prejuízos indicados pelo TCU porque está sendo devidamente identificado. Não tivemos oportunidade ainda de apresentar defesa ao TCU.

O TCU apontou prejuízos de mais de U$ 700 milhões na compra da refinaria. Segundo a Corte, Cerveró poderá, eventualmente, ser responsável por ressarcir os cofres públicos no final das investigações.

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É a terceira vez que Cerveró presta depoimento no Congresso Nacional após uma série de denúncias de corrupção envolvendo a Petrobras. Investigações da Polícia Federal no curso da Operação Lava Jato apontam um esquema de lavagem de dinheiro de que teria movimentado ilegalmente R$ 10 bilhões.


DELAÇÃO

A CPI marcou para a próxima quarta-feira, dia 17, o depoimento do ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa, que revelou à Justiça um esquema de corrupção na empresa. Costa tenta se beneficiar da delação premiada, figura jurídica na qual o réu conta o que sabe à Justiça em troca de redução da pena.

Segundo a revista "Veja", Costa listou o ministro Edison Lobão (Minas e Energia), líderes do Congresso como os presidentes da Câmara e do Senado, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) e Renan Calheiros (PMDB-AL), além do ex-governador Eduardo Campos, morto no dia 13 de agosto em um acidente aéreo em Santos (SP), entre os políticos envolvidos.

Como está preso, Costa irá ao Congresso, com escolta policial, para prestar depoimento à CPI mista.