Política

Dilma nega crise econômica e garante inflação dentro da meta em 2014

Da Redação ·
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fonte: Foto: Ichiro Guerra/ Sala de Imprensa Dilma
Dilma nega crise econômica e garante inflação dentro da meta em 2014

BRASÍLIA, DF - A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta segunda-feira (28) que a inflação, no Brasil, vai ficar no teto da meta (6,5%), mas que não está "descontrolada". Ao negar que o país viva uma "crise" econômica, Dilma disse não aceitar especulações no período eleitoral.

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"Sempre que especularam, não se deram bem. Acho muito perigoso especular em situações eleitorais", afirmou.

Em sabatina realizada pela Folha de S.Paulo, pelo portal UOL, pelo SBT e pela rádio Jovem Pan, a candidata do PT à reeleição classificou de "lamentável" e "inadmissível" a recomendação do banco Santander a correntistas informando que sua eventual reeleição poderia ter efeitos negativos para a economia.

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A direção do banco teve de se retratar e se desculpou pelo envio do relatório, alegando ter sido um erro de um analista que divulgou a recomendação sem consultar superiores.

Dilma disse ser "inadmissível aceitar qualquer nível de interferência de qualquer integrante do sistema financeiro" na atividade eleitoral e política do país.

"A pessoa que escreveu a mensagem [do Santander] fez isso sim e isso é lamentável. Isso é inadmissível para qualquer, eu diria qualquer, candidato. Seja eu ou qualquer outro", relatou ela, acrescentando que tomará uma "atitude bastante clara em relação ao banco".

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Dilma confirmou ter recebido um pedido de desculpas da instituição, mas considerou o texto "muito protocolar".

Sobre inflação, Dilma comparou seu governo com o do tucano Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). "O presidente Lula pegou taxa de inflação extremamente alta, de 12,5%, do FHC. Acho que usam dois pesos e duas medidas para julgar meu governo. Ela [a inflação] não está descontrolada", disse.

"Ela está no teto da banda [o centro da meta é de 4,5%; o teto da banda, de 6,5%]. Vamos ficar nesse teto da banda."

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Para a candidata, o Brasil enfrenta o pior momento da economia internacional desde 2008, quando o mundo foi atingido por uma grave crise financeira. Àquela altura, o então presidente Lula afirmou que os efeitos da daquela crise, sobretudo com escassez de crédito, atingiriam um país como uma "marolinha".

Dilma, nesta segunda, reconheceu que era uma avaliação equivocada.

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"Está havendo o mesmo pessimismo que aconteceu com a Copa com a economia brasileira. E com a economia é mais grave, porque economia é feita com expectativa", argumentou.


MENSALÃO

Na sabatina, a presidente disse que houve "grande discrepância" em relação à investigação do mensalão do PT, que resultou na condenação pelo Supremo Tribunal Federal de 25 réus, e do mensalão do PSDB, cujo processo atualmente tramita na Justiça de Minas Gerais.

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"Nessa história da relação com o PT tem dois pesos e umas 19 medidas. Porque o mensalão [do PT] foi investigado. Agora, o mensalão mineiro [do PSDB], não."

A candidata à reeleição insinuou que houve engavetamento no caso dos tucanos, depois dois réus renunciaram aos mandatos no Congresso como estratégia para levar os processos a julgamento na primeira instância da Justiça Federal.

"Quando foi o nosso caso, tomamos todas as providências. Não tivemos nenhum processo de interromper a Justiça. Não pressionamos juiz, não falamos com procurador, não engavetamos o processo", afirmou a petista, sem entrar em detalhes.

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Questionada a explicar a que exatamente estava se referindo, Dilma se negou a dizer, afirmando apenas que como presidente da República não se manifesta sobre decisões do Supremo Tribunal Federal.

No maior julgamento de sua história, o STF condenou 25 réus, entre eles toda a ex-cúpula do PT, concluindo ter havido compra de apoio legislativo durante a primeira gestão de Luiz Inácio Lula da Silva.

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O caso do mensalão do PSDB apura a suspeita de desvios de recursos públicos para a campanha à reeleição de Eduardo Azeredo ao governo de Minas Gerais, em 1998. O seu caso saiu do STF e foi para a Justiça mineira após Azeredo renunciar, neste ano, ao cargo de deputado federal.


DINHEIRO NO COLCHÃO

Dilma também foi questionada na sabatina sobre por que mantém R$ 152 mil guardados em espécie, segundo sua declaração de bens entregue à Justiça.

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"Não vou te contar [se guarda o dinheiro no Palácio da Alvorada]. Sete anos da minha vida eu vivi fugida. Tinha muito tempo que eu dormia de sapato, porque é muito forte a experiência que você passa em determinados momentos. Eu tenho essa prática. Eu dou dinheiro para a minha filha. Mas eu gosto assim", afirmou a presidente, lembrando do tempo em que foi presa e torturada durante a ditadura militar (1964-1985).

Nesse momento, brincou: "Não vou, não [fugir]. Já me perguntaram isso. Mas acho que tem uma parte que gosto disso. Eu sou de outra geração. Nunca quis sucesso. Para mim, o sucesso não era isso. Na minha época, o valor fundamental era que a gente ia transformar o Brasil. Já vivi sem dinheiro, com dinheiro. Tenho essa mania com os meus R$ 152 mil que vocês não vão mudar. Eu sou mineira."


PASADENA

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Ao ser questionada sobre a crise envolvendo a Petrobras, Dilma disse que não saiu desgastada do caso Pasadena. Pelo contrário, teria comprovado a adoção de "uma conduta muito decente" em todo o processo.

A compra da refinaria de Pasadena (EUA) pela estatal, em 2006, abriu uma crise política em seu governo quando a própria presidente revelou, neste ano, que o Conselho de Administração da Petrobras aprovou o negócio com base em um parecer "tecnicamente falho". Dilma presidia o conselho à época da aprovação da aquisição.

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"Eu não acho que estou sendo desgastada por Pasadena. Pelo contrário, eu acho que Pasadena mostra que sempre tive uma conduta muito decente nos cargos públicos", afirmou Dilma, ressaltando que foi excluída pelo Tribunal de Contas da União do processo que cobra ressarcimento de US$ 792 milhões aos cofres públicos.

"Do ponto de vista da minha situação, eu queria lembrar que o Conselho de Administração é um colegiado. Estavam presentes no conselho naquele momento alguns empresários e pessoas de grande experiência na área de negócios", completou Dilma, citando, entre outros, o empresário Jorge Gerdau.

"O que aconteceu conosco? Nos não tivemos todos os dados. Tanto o TCU como o Ministério Publico percebem as condições e eu fui afastada desse processo. Não tem como me condenar por Pasadena", afirmou Dilma, lembrando que o relator no TCU, José Jorge, pertencia aos quadros da oposição antes de ingressar no tribunal.

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Além da investigação no TCU, a crise da Petrobras resultou na criação de duas CPIs no Congresso, que ainda não apresentaram resultados concretos.


TRANSPORTES

Dilma também foi questionada sobre a troca de ministros que foi forçada a fazer por pressão do PR, que ameaçava não apoiar a sua reeleição, o que lhe subtrairia 1 minuto no tempo de propaganda eleitoral na TV. Dilma afirmou não ter se sentido "nem um pouco" chantageada.

"Eu me se sentiria chantageada se colocasse no Ministério dos Transportes uma pessoa que eu não acredito e não confio", disse Dilma, afirmando que confia no novo titular da pasta, Paulo Sérgio Passos que, embora seja filiado ao PR, é próximo à presidente.

"Eu não tolero, não compactuo e não aceito corrupção em qualquer espécie.

O PR exigiu, para a apoiar a candidatura de Dilma, que ela retirasse César Borges dos Transportes e colocasse Paulo Sérgio Passos. A queda de Borges, que também é do PR, se deu após o ministro se desentender com integrantes da cúpula de sua legenda.


ISRAEL

Na sabatina, a presidente afirmou que o conflito entre Israel e o grupo Hamas na Faixa de Gaza não pode ser chamado de "genocídio", mas, sim, de "massacre".

Dilma lamentou a declaração do porta-voz israelense Yigal Palmor, para quem o Brasil é um "anão diplomático". Segundo a presidente, a frase cria um "clima ruim", mas descartou ruptura das relações diplomáticas.

"Eu acho que o que está ocorrendo na Faixa de Gaza é uma coisa perigosa. Não acho que é genocídio, mas acho que é um massacre. Não há genocídio, mas ação desproporcional. Tem que acabar aquela história de matar os três jovens israelenses. Mas não é possível matar crianças e mulheres de jeito nenhum."

Na semana passada, o governo brasileiro divulgou uma nota condenando a escalada de violência em Gaza sem citar ações tomadas pelo grupo Hamas, o lado palestino. Como gesto de reprovação, o Itamaraty chamou seu embaixador em Tel Aviv, Henrique Sardinha Pinto, de volta ao Brasil para "consultas".

Horas depois, a chancelaria de Israel reagiu. O porta-voz Yigal Palmor chamou o Brasil de "politicamente irrelevante" e de "anão diplomático". Na ocasião, a orientação do governo brasileiro foi não polemizar.

Dilma afirmou que o embaixador Sardinha Pinto "oportunamente" retomará seu posto e que não há "momento de ruptura".

"Lamento as palavras [do porta-voz israelense], elas produzem um clima muito ruim. Nesse caso, a gente tem de ser bastante prudente. Acho que a ONU (Nações Unidas) está completamente certa", disse. "Não posso especular se [o porta-voz] falou em nome do governo. Mas a decisão de ONU de exigir cessar fogo imediato é altamente bem-vinda. É uma questão humanitária, é uma faixa muito pequena, muita mulher e criança morrendo. A gente sabe que numa guerra desse tipo, quem paga são os civis", acrescentou.