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Inventaram divisão entre lulistas e dilmistas, diz Lula da crise no comitê

Da Redação ·
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fonte: Foto: arquivo/ montagem
Inventaram divisão entre lulistas e dilmistas, diz Lula da crise no comitê

SÃO PAULO, SP - Após atritos no núcleo da campanha de Dilma Rousseff, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (22) que "inventaram" um racha entre dilmistas e lulistas.

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Segundo o ex-presidente, o falso embate entre petistas é provocado pela "pequenez política, próprio de quem fica sentado numa sala com ar-condicionado, analisando as coisas sem conversar com as pessoas".

"Inventaram uma divisão entre lulistas e dilmistas. Eu acho fantástico. Eu seria o maior dilmista do Brasil e tenho certeza que a Dilma não tem nenhuma razão para não ser lulista do Brasil. De vez em quando, eu fico lendo essas informações de que tem uma divisão, de que fulano pertence a tal grupo, isso é de uma pequenez política, próprio de quem fica sentado numa sala com ar-condicionado, analisando as coisas sem conversar com as pessoas", disse o ex-presidente após encontro com prefeitos da Baixada Santista, em São Paulo.

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"O sucesso da Dilma é sucesso de um projeto, que começou comigo em 2003, que está dando certo em 2014 e que vai se repetir até 2018. Eu vou trabalhar para que ela aconteça com todas as forças que eu puder. Onde eu tiver condições de transferir um voto para Dilma, eu vou transferir", completou.

A mais recente divergência na campanha foi protagonizada por Franklin Martins, responsável pela área digital da campanha. O ex-ministro de Lula fez um post contra a CBF no site "Muda Mais", criado por sua equipe.

Auxiliares de Dilma julgaram que o texto colocava a presidente desnecessariamente contra a CBF. Diversos emissários de Dilma e Lula telefonaram para o ex-ministro transmitindo o recado de que a presidente não aprovara o gesto.

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O caso só não se transformou numa crise incontornável porque o ex-presidente Lula foi acionado para remediar o problema. A saída de Franklin da campanha chegou a ser cogitada, mas ele acabou recuando. Lula defendeu o aliado.

"Não há nenhum problema com o Franklin. Eu sinceramente acho que seria um absurdo imaginar que a campanha iria preterir a pessoa com capacidade de análise política do Franklin. Se ele não existisse, seria necessário criá-lo para que ele pudesse ajudar na análise política que acontece no cotidiano da política brasileira. A resposta para tudo isso será dada no dia a dia da campanha", afirmou.


REJEIÇÃO

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Lula disse ainda que "não sabe se Dilma está isolada" em São Paulo e minimizou a alta taxa de rejeição de sua sucessora no Estado, que chega a 47% segundo mostrou pesquisa Datafolha da semana passada.

"A rejeição ela existe para a gente desconstituí-la. Não vejo problema em rejeição. Ela existe para ser superada", afirmou. " Se você pegar o histórico, você vai perceber que tinha um momento que tinha muita rejeição e teve momento que tinha menos rejeição. Por isso, você vai começar uma campanha agora, vai utilizar os meios de comunicação para tentar mostrar as coisas corretas que fez o governo", afirmou.

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Lula disse que Dilma vai "mostrar aquilo que fez e vai pedir voto de confiança as pessoas para mostrar o que vai fazer". Quem está na oposição vai sempre fazer promessas. Não vejo problema em rejeição. Ela existe para ser superada.

Questionado sobre a proximidade de Dilma com seus adversários no segundo turno, o ex-presidente desconversou. "Primeiro, o jogo está começando agora. Eu nunca tive problema com o segundo turno. Eu acho que o segundo turno é a possibilidade de você construir a coalizão de um mandato inteiro. Primeiro, o jogo está começando agora. Eu nunca tive problema com o segundo turno. Eu acho que o segundo turno é a possibilidade de você construir a coalizão de um mandato inteiro",declarou.


POTENCIALIZAR

Segundo participantes do almoço dos prefeitos, Lula cobrou empenho na corrida eleitoral e disse que é preciso "potencializar" a campanha de Dilma. Dos nove prefeitos da baixada, apenas o de Santos não compareceu.

Além da alta rejeição de Dilma, o PT ainda sofre com as dificuldades da candidatura de Alexandre Padilha ao governo paulista para decolar - o candidato está estacionado com 4% das intenções de voto.

Para tentar dar um reforço na campanha de Dilma no Estado, o PT negocia com o PMDB um segundo palanque. Antes de se reunir com os prefeitos, Lula participou de um seminário com químicos ligados a Força Sindical, que oficialmente apoiam o presidenciável Aécio Neves (PSDB). Além de defender a política econômica de Dilma, ele fez um histórico dos 12 anos do governo Lula e das receitas para enfrentar a crise financeira internacional.

Da plateia, ele ouviu vários pedidos de "Volta, Lula". O ex-presidente reiterou que não pode se colocar como candidato agora, nem em 2018. Secretário-geral da Força Sindica Sérgio Luiz Leite disse que a entidade não terá candidato único nas eleições de 2014 e que a maioria dos químicos de São Paulo defendem a reeleição de Dilma.