Política

Para ministro, xingamentos à Dilma devem servir de aprendizado

Da Redação ·
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fonte: Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Para ministro, xingamentos à Dilma devem servir de aprendizado

BRASÍLIA, DF - O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) minimizou as críticas que recebeu de setores do PT por ter divergido sobre a avaliação do ex-presidente Lula no episódio dos xingamentos dirigidos à presidente Dilma Rousseff na abertura da Copa do Mundo.

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Para Lula, as ofensas partiram de uma elite branca, mas para o ministro o mau humor do eleitorado contaminou também setores sociais mais pobres. Ele afirmou nesta quarta-feira (25) que tem recebido muito apoio de pessoas tanto do partido quanto de outras esferas políticas e disse que o caso deve servir de aprendizado para que nenhum outro governante volte a ser xingado.

"Não pode permitir que o ódio, raiva que se espalha a partir de pessoas interessadas de fazer tudo uma guerra uma cultura na sociedade. Ódio e raiva não levam a nada. São as causas que levaram aquelas pessoas a se expressarem daquela forma. Graças a Deus teve um sentimento muito forte contra essa atitude e espero que isso sepulte de uma vez esse tipo e conduta que não constrói nada. Espero que isso sirva de aprendizado para que nunca mais governante nenhuma seja tratada dessa forma", disse Carvalho no programa "Bom dia, ministro", da EBC, que contou com a participação de emissoras de rádio de todo o país.

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Apesar do episódio, Carvalho acredita que o povo ainda está ao lado do governo e que quando o PT conseguir mostrar todas as realizações do governo nos últimos 12 anos sem intermediações da imprensa, durante a campanha eleitoral, a candidatura de Dilma irá deslanchar. Ainda assim, o ministro avaliou que está será a eleição mais difícil para o partido desde 2002.


COPA

Dizendo ter sido escalado pelo governo para defender a Copa, Carvalho afirmou que, apesar dos altos gastos com estádios e obras que ainda não foram entregues, não haverá nenhum "elefante branco". O ministro afirmou ainda que o Brasil foi alvo de uma "antipropaganda brutal" e de um "terrorismo" contra a realização da Copa mas que o país está vencendo o seu "complexo de vira-latas".

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"Mostramos que podemos fazer Copa sim, que o Brasil definitivamente é um país capaz. Fizemos a Jornada Mundial da Juventude, a Copa e vamos fazer as Olimpíadas. Chega de pensar que só podemos ter Copa em países considerados de primeiro mundo e não aqui. Apesar de todos os limites, algumas frustrações por não termos entregado todas as obras, fica esse legado", disse.

Sobre a diminuição das manifestações em todo o país, Carvalho afirmou que a população entendeu que o mundial irá trazer benefícios para o país. "Felizmente nessa Copa nós conseguimos, através da informação e do convencimento das pessoas e os fatos se impuseram, de que não valia a pena se manifestar contra a Copa porque ficou evidente que, contra todo o terrorismo que foi feito e contra todo o complexo de vira-lata que foi feito tão contundente e tão massivamente, nós conseguimos demonstrar que o Brasil era sim um país capaz de fazer a Copa", avaliou.

Em consonância com o endurecimento ao combate à manifestações violentas, o ministro condenou a ação dos black blocs nos protestos e apoiou a prisão de dois deles em uma manifestação ocorrida na segunda-feira (23) em São Paulo, na avenida Paulista. "Os que foram presos não podem ter aliviada a sua situação. Não podemos aliviar com essa gente porque temos uma lei que tem que ser por todos respeitadas e violência não pode ser o método", disse.

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O professor Rafael Marques Lusvarghi, 29, e o estudante Fabio Hideki Harano, 26, foram acusados de cinco crimes: associação criminosa, incitação da violência, resistência à prisão, desacato à autoridade e porte de artefato explosivo. Eles permanecem presos em São Paulo.


CONSELHOS POPULARES

O ministro voltou a defender o decreto presidencial que cria o Sistema Nacional de Participação Social e que regulamenta o funcionamento dos conselhos populares. Ele diz que o documento não cria estruturas novas mas apenas regulamenta o que já é comum no país. "Dilma teve preocupação de colocar como política de Estado o que já existe desde 1930. Temos tradição de participação da sociedade nos governos. Brasileiro tem a disposição desde a associação de bairros, irmandade, clube de mães. Conselhos são só mais uma expressão dessa generosidade", disse.

Ele afirmou que está em contato com os presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para sugerir que sejam feitas audiências públicas no Congresso para discutir o tema. Um projeto de decreto legislativo apresentado pela oposição para sustar os efeitos do decreto presidencial está na pauta do plenário da Câmara e pode ser votado assim que os deputados voltarem ao trabalho.