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Gerente da Petrobras diz que não vê superfaturamento em Abreu e Lima

Da Redação ·
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fonte: Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil
Gerente da Petrobras diz que não vê superfaturamento em Abreu e Lima

BRASÍLIA, DF - Em depoimento realizado nesta quarta-feira (18) na CPI da Petrobras no Senado, o gerente de Engenharia de Custos da estatal, Alexandre Rebello, afirmou que não vê possibilidade de superfaturamento na refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco.

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Com custo inicial em US$ 2,5 bilhões (R$ 5,6 bilhões), Abreu e Lima poderá custar US$ 18,5 bilhões (R$ 41,5 bilhões) quando ficar pronta, em 2015. A Polícia Federal investiga suspeita de superfaturamento na obra.

Evitando responder a maioria das perguntas sempre com a mesma explicação de que a gerência que representa não participava de todas as fases dos negócios, Rabello disse, em relação a Abreu e Lima, que "não [vê] possibilidade de superfaturamento considerando os procedimentos que são seguidos para efeito de licitação".

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Mais cedo, o gerente de Custos já havia avaliado a obra afirmando que "para os ativos aos quais foram feitas as estimativas de custos e que foram licitadas, [...] a gente pode afirmar que estão, na visão da Petrobras, compatíveis com os valores de mercado".

Rabello também não quis comentar as suspeitas de que o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa seria o responsável pelo superfaturamento da obra e afirmou nunca ter estado com ele pessoalmente. Todavia, o gerente de Custos admitiu que a primeira etapa da obra de Abreu foi responsabilidade da diretoria de Abastecimento.

Costa foi um dos 13 presos da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que investiga suposto esquema de lavagem de dinheiro na estatal. As suspeitas dos policiais são de que o esquema teria movimentado através de doleiros R$ 10 bilhões com um desvio de até R$ 400 milhões.

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Em entrevista à Folha de S.Paulo no dia 1° junho, Costa afirmou que a Petrobras decidiu construir a refinaria de Abreu e Lima fazendo uma simples "conta de padeiro" e sem ter um projeto definido.


HISTÓRICO

A oposição boicota a CPI exclusiva do Senado por considerá-la "chapa branca" e criou outra, a CPI mista, com a participação de deputados e senadores, para também investigar os negócios da Petrobras.

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Nela, acreditava a oposição, haveria mais liberdade para investigar. Todavia, no primeiro e único depoimento realizado na semana passada, a oposição acusou os parlamentares governistas de blindar a presidente da Petrobras, Graça Foster.

Ao começar a sessão o presidente da CPI da Petrobras, Vital do Rêgo (PMDB-PB), informou que a justiça do Paraná deferiu o pedido de compartilhamento dos autos da Operação Lava Jato, da PF. Os autos já foram enviados às CPIs Mista e do Senado. Vital afirmou que os parlamentares devem preservar o caráter sigiloso da operação. "A CPI terá mais embasamento agora", afirmou Vital.

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TRIBUNAL DE CONTAS

Ainda antes do início do depoimento, o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), defendeu o afastamento do ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) José Jorge da fiscalização de todos os processos que envolvem a Petrobras. "Eu que estou constrangendo este cidadão porque, na verdade, ele deveria se declarar suspeito de todos os processos da Petrobras", afirmou Costa.

José Jorge é o relator do processo no TCU em relação à compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, pela Petrobras. O negócio deu prejuízo de U$ 530 milhões para a estatal e foi aprovada pelo Conselho de Administração em 2006, presidido à época por Dilma Rousseff.

Ministro de Minas e Energia do governo Fernando Henrique Cardoso, Jose Jorge é réu em ação proposta em 2001 apontando prejuízo de R$ 2,3 bilhões numa operação de troca ativos entre a estatal e a companhia ibero-argentina Repsol-YPF. A informação foi divulgada pelo jornal "O Estado de S.Paulo". A CPI já havia aprovado convite para depoimento, mas o ministro do TCU negou o pedido.