Política

Requião insiste em pré-candidatura à Presidência

Da Redação ·
 Requião já admitiu que a pré-candidatura à Presidência não tem qualquer chance de vingar
fonte: Google Imagens
Requião já admitiu que a pré-candidatura à Presidência não tem qualquer chance de vingar

Pressionada pela ala que defende a candidatura própria do PMDB, a Executiva Nacional do PMDB se reunirá hoje à tarde para examinar a inscrição da candidatura à presidência da República do ex-governador Roberto Requião. A medida entra em choque com o edital de convocação do partido, já distribuído, que convoca os filiados para “aprovar” amanhã o nome do presidente do PMDB, Michel Temer, como candidato a vice-presidente na chapa da chapa da pré-candidata do PT, Dilma Rousseff. E resulta da pressão feita por Requião e por parlamentares que apoiam seu nome, como o senador Pedro Simon e o deputado Darcídio Perondi, ambos do PMDB.
 

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Reunidos ontem na presidência do PMDB, juntamente com o presidente de honra, o ex-deputado Paes de Andrade, sem a presença de Temer, que está em São Paulo, eles anunciaram que recorrerão ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se a Executiva deixar de fora da cédula a candidatura própria do partido. Requião afirma ter o apoio dos diretórios de seu Estado, de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e possivelmente de São Paulo, com o qual informou que não tem “conversado” ultimamente.
 

“A convenção estará violentada se não lançar um candidato do partido”, avalia o ex-governador. Qualquer que seja a decisão da Executiva, ele disse que vai comparecer e defender na convenção o apoio a um programa de governo do PMDB, diferente do que está em vigor, que - segundo ele - “é bem inferior ao do PT, já que puxa pela direita”. “Vou comparecer e falar, a não ser que, além de me negarem a inscrição, queiram também me negar a palavra”, prometeu.
 

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Requião assinou uma procuração para o diretório do Rio Grande do Sul registrar seu nome junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Acompanhado do presidente nacional de honra do PMDB, o ex-deputado Paes de Andrade, e de membros da direção do PMDB do Rio Grande do Sul - senador Pedro Simon, deputados federais Darcísio Perondi e Osmar Terra – Requião confirmou que vai apresentar seu nome na convenção amparado no apoio de 24 diretórios estaduais do PMDB.
 

Segundo Pedro Simon, não tem sentido a tentativa da direção nacional de impedir a inscrição de Requião como pré-candidato à Presidência da República. “É uma medida ilegal, autoritária e sem precedentes na história do partido. Logo, vamos recorrer à Justiça Eleitoral para fazer valer o desejo da maioria dos que defendem a candidatura própria para Presidência”, declarou o senador gaúcho. Segundo ele, qualquer obstáculo oposto pela direção nacional do partido será contraposto junto ao TSE.
 

Durante a coletiva, o ex-governador cobrou um programa de governo. “Vou à convenção para discutir um programa do PDMB para o Brasil. O que vi até agora não é um programa. É um arremedo de programa, com poucas idéias que se chocam com tudo aquilo que o nosso PMDB sempre defendeu ao longo da história”, disse Requião.
 

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“Eu vi uma defesa clara deste esboço de programa de um Banco Central independente. Deve ter sido o (Henrique) Meirelles que escreveu”, ironizou o ex-governador. “Eles querem que a gente vá à convenção para consagrar uma decisão já tomada pela Executiva e não para debater os problemas brasileiros, como resolvê-los”, completou.
 

Vice O ex-governador lamentou ainda a atitude da direção nacional do partido, que procurou fechar questão em torno da coligação com o PT e com a indicação do deputado federal Michel Temer para vice de Dilma Rousseff. Requião ressaltou que não se trata de oposição ao apoio à Dilma, mas sim, da discussão de um programa para o Brasil. “Se o Temer faz tanta questão de ser candidato a vice-presidente, posso abrir uma vaga na minha chapa”, ironizou.
 

“O edital de convenção desta convenção é um acinte. Ele não abre a reunião para o debate e coloca como tema tão somente a coligação e a indicação de Temer. Pior ainda, o edital fala que a convenção está sendo convocada para simplesmente ratificar a decisão da executiva nacional do partido em de 12 de maio. A executiva quer empurra goela abaixo uma decisão já tomada e não admite discussão sobre o tema”, finalizou.
 

Apesar do tom das declarações, o próprio Requião já admitiu que a pré-candidatura à Presidência não tem qualquer chance de vingar e é só uma forma de “marcar posição”. Tanto que no Paraná o partido já dá como certa sua candidatura ao Senado.