Política

PMDB forma militância para recuperar prestígio

Da Redação ·
 O PMDB planeja ter, até 2014, um "exército" de 2,5 milhões de militantes espalhados pelo país
fonte: Divulgação
O PMDB planeja ter, até 2014, um "exército" de 2,5 milhões de militantes espalhados pelo país

O PMDB planeja ter, até 2014, um "exército" de 2,5 milhões de militantes espalhados pelo país, politicamente qualificados, defendendo as mesmas bandeiras e com discurso partidário unificado. Para atingir a meta, a Fundação Ulysses Guimarães (FUG), órgão de estudos do partido, há três anos desenvolve em todo o território nacional um programa de formação política e cidadania, para filiados e simpatizantes, e de capacitação de candidatos e gestores públicos.

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Mais de 200 mil pessoas já fizeram os cursos, segundo o deputado Eliseu Padilha (RS), presidente da fundação. Ele acredita que, criando essa "massa crítica", o PMDB poderá "refazer sua identidade político-partidária". Defensor da candidatura própria a presidente da República, Padilha espera que em 2014, com uma base mais qualificada e uma militância revitalizada, o partido tenha condições de lançar um nome competitivo ao cargo.

Embora tenha o maior número de deputados federais (91), senadores (17), governadores (9) e prefeitos (1.201), o PMDB é hoje um partido dividido em 27 "federações" - que segue uma liderança diferente em cada Estado. "Depois da unificação do discurso, vem a unificação do partido. Sem unidade, o PMDB não vai construir um projeto de poder nacional", diz o deputado.

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Desde que o programa foi lançado, em 2007, três cursos estão em andamento - "Curso Básico de Formação Política Ulysses Guimarães", "Preparatório para Candidatos a Prefeito, Vice-Prefeito e Vereadores" e "Curso para Gestores Públicos Municipais". Na quinta-feira, dia 24, será lançado oficialmente em Brasília um quarto curso - de "Formação de Agentes da Cidadania".

O método utilizado é o ensino à distância em salas presenciais. Cada turma tem, em média, um mês de aulas, coordenadas por um "mediador" - do qual é exigida filiação partidária -, que recebe um "kit tecnológico" (um aparelho de televisão de 29 polegadas e um DVD com as aulas gravadas). Material impresso é entregue gratuitamente ao aluno.

O conteúdo pedagógico dos cursos oferecidos pela FUG é elaborado por professores da Universidade de Brasília (UNB) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e pelo Instituto Brasileiro de Administração Municipal (Ibam), do Rio de Janeiro.

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Se houver uma televisão, as aulas podem ser exibidas em qualquer ambiente. De abril de 2008 a março de 2009, mais de 40 alunos das tribos Wapixana, Macuxi e Tauretong fizeram o curso básico de formação política, cujas aulas foram ministradas na maloca "Boca da Mata", na cidade de Pacaraima (RR). A formatura foi em março de 2009, com uma média de 76% de frequência.

Em dezembro de 2009, 28 alunos do Assentamento Vitória, do MST, localizado a 30 quilômetros do município de Santa Maria da Boa Vista (PE), concluíram o primeiro módulo do curso para gestores públicos municipais e receberam seus certificados. As aulas foram realizadas na Escola Municipal Marcos Freire, onde está sendo realizado o segundo módulo.

"O objetivo é preparar e reciclar pessoas. Preparar o partido. Esse curso é escola de cidadania e política, no interesse do partido", afirma o deputado, presidente da FUG desde 2006. Antes, ele presidia a fundação no Rio Grande do Sul, onde deu início ao projeto do ensino à distância.

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Segundo Padilha, 98,6 mil pessoas estão atualmente frequentando os cursos de formação política da fundação e 147 mil já receberam certificados. Para a certificação é preciso que o aluno tenha frequência mínima de 70% nos encontros presenciais e avaliação do mediador. A FUG gasta cerca de R$ 800 mil por curso.

A trajetória do partido faz parte do currículo do Curso Básico de Formação Política. Mas, segundo Padilha, o conteúdo - que não é regionalizado para haja a integração pretendida - é "isento do ponto de vista partidário" e "sem louvação" ao PMDB. A apostila conta, por exemplo, que o PMDB foi o partido que menos vezes votou unido até 1998, dentre as maiores legendas, e que o "mais coeso" é o PT, seguido do DEM.

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O curso básico destina-se a candidatos a cargos eletivos, dirigentes partidários, detentores de cargo comissionado indicados pelo PMDB e militantes. Compõem o currículo do primeiro módulo do curso aulas de: teoria política, formação do Estado (desde a antiguidade), formas de Estado, sistema de governo, formas de governo, poderes do Estado, partidos políticos e sistemas eleitorais.

O segundo módulo é voltado para a história política do Brasil e do PMDB - formação do Estado brasileiro, políticas públicas, a história do partido, ética e política, marketing político e eleitoral e liderança eleitoral.

O Curso Preparatório para candidatos a Prefeito, Vice-prefeito e Vereadores, além da política e de organização do Estado, dá aulas de princípios da administração pública, políticas públicas, papel e funções do Legislativo e do Executivo municipais, finanças públicas do Brasil, Lei de Responsabilidade Fiscal, legislação e regras eleitorais, planejamento e financiamento da campanha eleitoral e marketing político.

O terceiro curso já em andamento, para gestores públicos municipais, inclui noções gerais da administração pública municipal, competência e atuação do poder Legislativo e competências e atuação do poder Executivo.

A expectativa da fundação é que em um ano haja pelo menos uma turma do novo curso, que será lançado no dia 24 (preparatório de cidadania comunitária), em mais de três mil municípios do país.

Fonte: Raquel Ulhôa, de Brasília, no Londrix