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Dilma minimiza "volta, Lula" e diz que nada romperá a aliança

Da Redação ·
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fonte: Foto: Arquivo
Dilma minimiza "volta, Lula" e diz que nada romperá a aliança

Instada a falar sobre o movimento "volta, Lula", que ganha força entre membros do PT e de partidos aliados, a presidente Dilma Rousseff disse ontem que nada romperá a sua aliança com o antecessor. Ela lembrou que, como ministra da Casa Civil, conviveu com Lula entre abril de 2005 e dezembro de 2010 "todos os dias".

Ontem, a bancada do PR na Câmara lançou manifesto no qual pede que Lula substitua Dilma na corrida presidencial. De acordo com membros do partido da base aliada do governo, ele é mais preparado que a atual presidente para fazer a economia voltar a crescer com vigor.

Na manhã de hoje, a CNT (Confederação Nacional do Transporte) divulgou uma nova pesquisa que aponta queda nas intenções de voto em Dilma. Ela saiu de 43,7 pontos para 37. A margem de erro é de 2,2 pontos, para mais ou para menos. Aécio Neves, virtual candidato do PSDB, subiu de 17 para 21,6 pontos.

Tanto membros da situação como membros da situação atribuem a queda de Dilma ao noticiário sobre a crise na Petrobras, que o governo tenta superar. Em um jantar com jornalistas da área de esporte no Palácio da Alvorada, em virtude da proximidade da Copa do Mundo, ela falou ainda sobre reforma política e o programa Mais Médicos.

Petrobras

A presidente disse ser injusto que a Petrobras, "a maior empresa brasileira", tenha sua imagem manchada por conta de um erro de um funcionário. De acordo com a presidente, falhas como essa acontecem em quaisquer empresas, sejam elas estatais ou particulares.

No mês passado, a compra pela Petrobras da refinaria de Pasadena, nos EUA, passou a ser alvo de críticas da oposição após a presidente ter admitido, em nota oficial, que o negócio havia sido aprovado pelo Conselho de Administração da estatal com base em um parecer "técnica e juridicamente falho".

Nestor Cerveró, diretor responsável pela apresentação do parecer, acabou demitido de um cargo na BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras para a qual tinha sido transferido. A oposição conseguiu assinaturas para uma CPI no Senado, que até agora não foi instalada.

A produção de petróleo, aliás, foi um dos pontos que sustentam o otimismo apresentado pela presidente, fortemente exposto no jantar de ontem. Para ela, graças aos dividendos do pré-sal, o Brasil estará entre os cinco maiores produtores de petróleo em 2020.

Em relatório de 2013, a empresa multinacional BP apontou o Brasil como o 13º produtor mundial da commodity.

Reforma Política

Entre as mudanças mais abrangentes que gostaria de ter feito nesses três anos e quatro meses de mandato e não conseguiu, Dilma destacou a reforma política. Um dos pontos centrais da reforma pretendida por ela é o financiamento público das campanhas eleitorais. Sem entrar em detalhes, Dilma disse que é preciso reavaliar a relação entre a iniciativa privada e os políticos.

No ano passado, depois dos primeiros protestos que agitaram diversas capitais do país, a presidente anunciou uma série de medidas. A mais controvertida era a convocação de uma Constituinte exclusiva para aprovar a reforma política, iniciativa alvejada pela oposição e até mesmo por aliados.

Mais Médicos

"O padrão de atendimento dos cubanos é melhor que o nosso", disse Dilma, referindo-se ao tratamento inicial oferecido aos pacientes pelos médicos brasileiros nos serviços públicos de saúde.

De acordo com a presidente, os médicos do país do Caribe, que participam do programa Mais Médicos, oferecem aos pacientes brasileiros um tratamento mais "humano". Já são 14 mil médicos cubanos trabalhando no país, segundo a presidente.

Dilma citou um episódio recente em que uma mulher, ao lado da filha, foi se consultar com um médico cubano. Ele percebeu que havia algo de errado com a menina, que não tinha relatado problema algum, apenas acompanhava a mãe. Constatou-se depois, segundo Dilma, que a garota estava com pneumonia. A presidente não disse em que cidade isso aconteceu.

Por conta das semelhanças culturais entre brasileiros e cubanos, ela acredita que muitos desses médicos permanecerão no país.

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