Política

Presidente da Câmara lança candidatura e quase desmaia

Da Redação ·
Henrique Eduardo Alves será candidato em chapa com o PSB e com o PR - Foto: Agência Câmara
Henrique Eduardo Alves será candidato em chapa com o PSB e com o PR - Foto: Agência Câmara

O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB), lançou ontem (28) à noite sua pré-candidatura ao governo do Rio Grande do Norte, em um ato concorrido que reuniu a cúpula nacional do partido em Natal.

Em quase uma hora de discurso, Alves poupou a presidente Dilma Rousseff e centrou críticas na governadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN).

Disse estar no "dia mais importante de sua vida pública" e chegou a passar mal ao final da intervenção. Teve que ser amparado pelo candidato a vice-governador na chapa, deputado federal João Maia (PR-RN), e pelo líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha, deixando o hotel sem falar com a imprensa. "É a emoção", disse enquanto deixava o local que sediou o encontro político.

Henrique Eduardo Alves será candidato em chapa com o PSB e com o PR. À ex-governadora Wilma de Faria (PSB), candidata ao Senado na chapa, disse que a aliança "não é nenhum favor a ela, mas um reconhecimento a força do seu partido e a sua liderança".

O presidente da Câmara preferiu criticar a situação do Estado. Aos cinco minutos de discurso, por exemplo, diante de queda de energia no auditório, afirmou que há "escuridão" sobre o Rio Grande do Norte, que disse estar "quebrado, falido e é desrespeitado". "Vou mudar essa história", afirmou.

O deputado disse que o Rio Grande do Norte tem ficado para trás em relação a outros Estados do Nordeste apesar de ter petróleo em terra, em águas profundas e de ser o Estado mais forte em áreas como produção de sal e energia eólica.

"Apesar de ter tudo isso o Estado não cresce, não se impõe. Vamos acabar com esse estado fragilizado, humilhado", afirmou.

Alves também citou seu cargo para questionar como o RN consegue estar no posto de terceira maior autoridade do país e, ainda assim, não se impor. Afirmou que "não há uma porta" que ele não consiga abrir em todos os Poderes.

Apesar de o PT caminhar para não apoiá-lo no Estado, Alves citou o apoio que recebeu "do seu querido Lula" e da presidente Dilma para chegar à Presidência da Câmara. E lembrou que já assumiu a Presidência da República por duas vezes no lugar de Dilma. "Se eles [Lula e Dilma] acharam que eu podia sucedê-los, eles sabem que estou preparado para ser governador do Rio Grande do Norte", disse.

O deputado fez uma crítica indireta ao PT local. "Muitos me procuraram e, no abecedário, queriam que eu fosse só até o "P" e o "T", mas eu queria ir além. Queria ir até o "V" de Vilma e o "V" de vitória."

O PT local deverá lançar a deputada federal Fátima Bezerra ao Senado, em provável aliança com o vice-governador Robinson Faria (PSD), pré-candidato ao governo.

Caso se confirme a candidatura, será a primeira campanha de Henrique Eduardo Alves ao governo potiguar. O deputado já disputou e perdeu duas eleições para a Prefeitura de Natal, em 1988 (quando foi derrotado por Wilma de Faria) e em 1992.

O anúncio da pré-candidatura ocorre em meio a um cenário eleitoral ainda incerto no Estado, sobretudo pela indefinição em relação a uma possível candidatura à reeleição da governadora Rosalba Ciarlini, que chegou a ter o mandato cassado no ano passado pela Justiça Eleitoral sob acusação de abuso de poder político em eleições passadas.

A governadora obteve liminares favoráveis no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e espera, no cargo, pelo julgamento definitivo das ações.
 

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