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Espionagem da Abin não se compara com a dos EUA, afirma Dilma

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PORTO ALEGRE, RS, 6 de novembro (Folhapress) - A presidente Dilma Rousseff afirmou hoje não ser possível comparar a espionagem promovida pelo governo brasileiro com as ações da agência americana NSA.

A Folha de S.Paulo revelou nesta semana que a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) espionou diplomatas da Rússia, Irã e Iraque entre 2003 e 2004.

"Não pode comparar o que a Abin fez em 2003 e 2004, até porque, segundo a Abin, foi contrainteligência."

Dilma disse que "inteligência e defesa dos governos" são uma questão velha e que a ação brasileira "não levou a nenhuma consequência de violar a privacidade".

Nas ações da Abin não houve monitoramento de mensagens eletrônicas e telefonemas. A atuação dos agentes brasileiros se deu em território nacional.

"Isso é previsto na legislação brasileira, não cometeu nenhuma ilegalidade. No outro caso, é um aparato de violação da privacidade dos direitos humanos e da soberania dos países."

A presidente concedeu entrevista ao grupo RBS, do Rio Grande do Sul, pela manhã em Brasília.

Dilma também comentou o cancelamento da visita que faria em outubro aos Estados Unidos devido ao vazamento das ações da NSA pelo ex-analista Edward Snowden. Disse que, se a programação fosse mantida, poderia ocorrer "constrangimento" durante a viagem e classificou a situação como "inadmissível".

Ela afirmou que esperava um pedido de desculpas do governo Barack Obama, o que não ocorreu. Também disse que "ninguém sabe o que tem o Snowden, nem os Estados Unidos sabem" e que novas denúncias poderiam ser divulgadas.

"O tema que vocês pautariam seria essas denúncias. E não as nossas realizações."

Dilma também afirmou que o caso não influenciou nas relações comerciais entre os dois países.

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