Política

Após quase dez anos, chacina de Unaí começa a ser julgada em BH

Da Redação ·

SÃO PAULO, SP, 27 de agosto (Folhapress) - Passados quase dez anos da morte de três auditores fiscais e de um motorista do Ministério do Trabalho em uma emboscada durante fiscalização no noroeste de Minas Gerais, a chamada chacina de Unaí começou a ser julgada hoje em Belo Horizonte. Os réus Rogério Alan Rocha Rios, William Gomes de Miranda e Erinaldo de Vasconcelos Silva, presos desde 2004, acusados de serem os executores dos crimes, são os primeiros a serem julgados. Há ainda previsão de julgamento de outros cinco réus até o final de setembro, entre eles os irmãos Norberto e Anterio Mânica, produtores rurais acusados de serem os mandantes dos crimes, que teria sido motivado pela insatisfação com a fiscalização trabalhista promovida pelo Ministério do Trabalho. O julgamento teve a formação do conselho de sentença, com a definição dos jurados, e o depoimento das primeiras testemunhas. Até o começo da noite seis testemunhas haviam sido ouvidas, entre elas o delegado da Polícia Federal responsável pela investigação, um policial militar de Minas que chegou a encontrar o motorista da equipe ainda vivo e outro policial militar de Goiás que comprou a arma do crime após os homicídios. Uma mulher que trabalhava no Ministério do Trabalho na região à época dos crimes confirmou que o escritório da pasta já havia recebido ligações com ameaças ao auditor Nelson José da Silva, uma das vítimas da chacina, ocorrida em janeiro de 2004. Nelson havia feito fiscalizações em 2003 em propriedades dos irmãos Mânica, e chegou a relatar ameaças de Norberto, que teria dito que "trataria à bala fiscal do Trabalho que conversasse fiado em sua propriedade". A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos réus no caso. Sindicalistas acompanharam o julgamento em uma das sedes da Justiça Federal na capital mineira e espalharam faixas com pedidos de justiça no caso.  

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